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EU RECONTA









Eu reconta

De tanto procurar é o nome do conto de Marina Colasanti
que está no livro que reúne 12 histórias fantásticas: “do seu coração partido”.



Essa é a história de um homem que andava sempre olhando pro chão em busca do que os outros perdiam por aí. Vive sozinho e tem os bolsos cheios de quinquilharia. As noites passa enamorado de seu tesouro disperso iluminado à luz de velas. Certo dia batem à porte e um jovem perguntar se ele não teria encontrado um chave que perdera. Foi a velha da esquina quem disse que o senhor enxerga por 2. Tinha encontrado três chaves e o jovem levou-as prometendo devolver as que não servissem. Não voltou e passaram-se os dias. Batem à porta, nessa que ninguém procurava, no lugar do jovem uma mulher que tinha perdido um dos brincos, trouxe as duas chaves que não serviram ao rapaz e as devolveu. A fama desse homem que encontrava coisas perdidas se espalhou pela cidade e ele de imperceptível passou a ser notado. Muitos o procuraram e muitos dias se passaram até que toc, toc, toc uma mulher pedia ajuda. Ando  perdida entre as horas e os dias e procuro o juízo que um dia tive. Desconfiado dela dispôs-se a acompanhá-la. O barulho do sapato dela parecia as batidas na porta tac, tac, tac. Mas acontece que os caminhos por onde ela procurava o juízo eram diferentes dos caminhos que ele sempre percorrera e, aos poucos, saíam da cidade e ganhavam os bosques, as fazendas, as colônias tortas de todo vilarejo, e aos poucos aquele ritmo tornou-se íntimo de seu coração tuc, tuc, tuc. Então, com a primeira brisa da primavera ele abaixado gritou, Achei! De pé estendia a mão oferecendo o achado. Mas não foi o juízo dela que encontrou. O homem, de pé, estende a mão e lhe oferece a primeira flor da estação. Desse momento até hoje caminham juntos, sem juízo perdidos os dois. 











A história de Pincus está em 
PESSOAS INVISÍVEIS, de Will Eisner
Pincus resolveu que a melhor forma de sobreviver seria passar desapercebido, sem ser notado construiu sua vida para ser sozinho. Adulto, se estabeleceu num apartamento pequeno e nunca recebeu visitas. Trabalhava na lavanderia do bairro e era, de longe, o melhor passador de roupas. Até o dia em que morreu Pincus teve uma vida monótona. E assim foi. Sua morte foi publicada por engano no jornal e mesmo ligando para confirmar que estava vivo não obteve sucesso pois a datilógrafa do matutino nunca tinha cometido um erro. Saiu para o parque, para respirar um pouco o ar fresco. A notícia de sua morte convenceu a todos e o dono do apartamento resolveu trocar a fechadura e alugar mais caro. Pincus retornou mas teve que passar o fim de semana no parque, junto com os vagabundos da cidade. Na segunda feira procurou o patrão que ainda não tinha chegado. Para sua surpresa já tinha sido substituído, e o novo passador ligou para o sindicato com muitas suspeitas. A conclusão que chegaram foi que o sindicato rival estava precisando de uma lição, pois não legal era mandar um concorrente fingindo ser o antigo passador que havia morrido. Pegaram Pincus e levaram-no, de carro, para a cidade vizinha, para dar uma lição aos concorrentes. Assustado Pincus saltou do carro em movimento e caiu de um precipício nas pedras banhadas pelo mar. Á noite a maré só deixou o chapéu do qual pincus era inseparável.  





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