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Mostrando postagens de Março 11, 2018

UM ANJO LEVOU O POETA ÀS ALTURAS

Um anjo curvo, retorcido e anguloso, levou o poeta às alturas da vaidade e de lá descortinou toda beleza do mundo, ofereceu banquete para sua fome e luxo que vestisse.  Apresentou mulheres lascivas e homens  voluptuosos corruptos; o Labiríntico ofereceu poder oferecendo domínios.
Enquanto apontava cá embaixo o Malencarnado dizia ao poeta  que no mundo não tinha homem mais feio,  mais faminto, nem outro de alma tão nua quanto a sua; o Caprichoso apontava defeitos tecendo elogios: não há mais propósito casto no mundo, honestidade ou bravura, não existe homem mais fraco nem mais pobre que tu, oh poeta!  e concluiu prometendo “tudo que desejar, te restituo”.
Então o poeta mediu em silêncio o arrombo da vaidade,  a altura do orgulho, a profundidade da mentira  e sentiu o chão firme sob os pés; o Poeta nem ergueu nem baixou os olhos  ao responder sem maldizer o anjo adunco:  “não preciso de mais nada, eu não estou sozinho,
me basta a Poesia”. *
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Baltazar Gonçalves