segunda-feira, 12 de março de 2018

UM ANJO LEVOU O POETA ÀS ALTURAS

Um anjo curvo, retorcidoanguloso,
levou o poeta às alturas da vaidade
e de lá descortinou toda beleza do mundo,
ofereceu banquete para sua fome
e luxo que vestisse. 
Apresentou mulheres lascivas e homens 
voluptuosos corruptos;
o Labiríntico ofereceu poder oferecendo domínios.

Enquanto apontava cá embaixo
o Malencarnado dizia ao poeta 
que no mundo não tinha homem mais feio, 
mais faminto, nem outro de alma tão nua quanto a sua;
o Caprichoso apontava defeitos tecendo elogios:
não há mais propósito casto no mundo,
honestidade ou bravura, não existe homem mais fraco
nem mais pobre que tu, oh poeta! 
e concluiu prometendo “tudo que desejar, te restituo”.

Então o poeta mediu em silêncio
o arrombo da vaidade, 
a altura do orgulho,
a profundidade da mentira 
e sentiu o chão firme sob os pés;
o Poeta nem ergueu nem baixou os olhos 
ao responder sem maldizer o anjo adunco: 
“não preciso de mais nada, eu não estou sozinho,
me basta a Poesia”.
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Baltazar Gonçalves

ODE AO MUSGO

O musgo é bom companheiro, calados concordamos que lado a lado vão o mal tempo e a bonança. O musgo é paciente, seco espera a chuva e verd...