sexta-feira, 9 de junho de 2017

FLOR DE ÓXIDO



ramalhete
reverso
flor de óxido 

anti-verso
preâmbulo vago
sem estreia.

do braseiro
um tanto mais alheio
é meu desmaio o incômodo.

desencontro
de tudo, somamos
somos 
o sonâmbulo mascando chiclete.

há nos
ares
um sereno desassossego.

Baltazar

POEMA PARA DIZER BOM DIA

seja
você
deselegante, firme e forte
retorcida coluna barroca erguida para o sol
ou
delicada espada neoclássica
de fio de aço orvalhada 
mas
seja
você
seja lá quem flor que seja
e será seta ou nota
duma
serena canção entoada por amigos.
Baltazar Gonçalves

MOENDA E SILO


quinta-feira, 8 de junho de 2017

QUANDO IRISMÊNIA POR AMOR ENLOUQUECEU - para Alphonsus de Guimaraens

Quando Irismenia por amor
enlouqueceu
disseram que tornou-se anjo.

(...)

Foi num sinal fechado
ela parou no devido pare
desceu do carro
bateu a porta com graça
abriu um riso esgarçado na cara
e acenou para os condutores cansados
dentro dos seus belos carros empacados.
Os olhares estagnados se cruzaram
perguntando assustados
sem compreender
o que uma alma igualmente penada
 poderia alcançar além do seu lugar
em 30 segundos do lado de fora.
A loucura coletiva ardia pavimentada
na rua quente
enquanto os conduzidos tardavam
enclausurados.
Longe dos homens angustiados
no meio fio, sentada à sombra da lua
Irismenia distante dos pensamentos condicionados
soltou dos pulmões o ar comprimido
 desamarrou os cadarços,
descalçou dos pés os sapatos
despiu uma por vez todas as peças do vestuário
e saltou
do viaduto erguido
sobre o mar negro de piche derretido.
Esquecida em si, solta no ar,
ela pisou a sombra de Marte
enquanto livre sobrevoa
a rua Saldanha Marinho.

(...)

Quando enlouqueceu, disseram
que Irismenia tornou-se anjo
porque derramou do amor
sobre o vazio dos corações magoados
a leitura
de um manifesto simbolista anti-marasmo.

Impressões sobre o livro O ÍNTIMO DA CASA, de J. A. Castro

Os poemas do livro O ÍNTIMO DA CASA, de J. A. Castro são janelas e portas que dão para o interior da memória de uma casa habitada na infâ...