quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

MEDITANDO...

MEDITANDO...
Talvez tenha existido um momento em que você esteve próximo de alguém que passava por uma grande dor e tenha feito a pergunta: O que eu posso fazer para que essa pessoa se sinta melhor?
Talvez tenha se sentido impotente, ansioso e aflito para aliviar o sofrimento. Desejou ter mais experiência ou sabedoria para lidar com as palavras. Talvez tenha ficado em silêncio e não soube o que dizer...
É bom lembrar que algumas dores não podem ser aliviadas nem mesmo com "as palavras certas". As palavras nunca podem expressar tudo o que queremos dizer, menos ainda o profundo sentimento de compaixão. As vezes a palavra é insuficiente para alcançar a alma ferida.
A palavra pode insuflar ânimo nas asas da alma mas é no silencio que ela voa...
Quando amamos, estar presente no seu silêncio é o maior gesto de compaixão que podemos expressar. Sabendo que um poder superior à quaisquer linguagens (e nelas contido) trabalha no espírito a cura possível, logo se vê re-significação para o sofrimento.
O silêncio movido pela compaixão alcança o coração de quem sofre.

Baltazar

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

SOBRE "O DOCE NÃO FAZER NADA"

Eu acredito em tanta coisa
e nada de novo que eu aprenda
pode mudar o que em mim pensa acreditar.
"O amor é lindo, a vida é bela"
 - se mudo alguma coisa de lugar
ou se repito ‘o amor é belo, a vida linda’
nada é acrescentado ao amor ou à vida
e quando de novo e de novo afirmo
aquilo que sou
ou o amor
ou a vida
continuam o mesmo já inventado
e nada mais ao que eu tinha aprendido acrescentei sentido.
É assim que em vão acredito
o 'doce não fazer nada'
: está em não ter a mente carregada demais,
pesada demais,
cheia demais de pensamentos que não têm propósito
ou foça para mudar o pequeno ou o grande
do que está e gira a minha volta...
Fácil dizer, difícil viver.
É muito difícil
esvaziar a mente para aproveitar
as pequenas alegrias da vida em qualquer lugar do mundo,
principalmente com a barriga vazia
ou vendo fronteiras se fecharem
ou ficarem mais estreitas nas sombras de muros
ou perceber que a indústria da alegria
vende mais antidepressivos que o nudismo existencialista.
Eu me esforço para estar bem
quando sei que o 'mundo está errado'
porque não tenho como resolver o que penso estar errado
no mundo.
Mas também o esforço tem vida curta
porque sei que o que penso 'estar errado'
pode ser apenas algo que penso errado
e pesa minha cabeça impedindo que eu veja
aquilo que vê quem não está pensando em nada
do meu lado...
Da janela podia ter visto
o carro velho conduzido pelo jovem feliz que passa
na rua, na rua
ou o menino que tropeça do alto de suas preciosas
havaianas novas
ou as vizinhas namoradas adolescentes que brigam por nada
como se o mundo fosse acabar em tapas
Da porta da sala eu podia ter visto
a minha gata (que tem nome de flor)
lamber sorvete na calçada
se eu tivesse sentado lá para saber não fazer nada.
Mas se penso não vejo mais nada...
Só de vez então,
no às vezes de entre os instantes,
é que consigo sentir 'o doce não fazer nada'.
é quando não penso o que é 'vida' ou 'amor'
É quando vejo ainda mais bela a vida e o amor.
É quando vejo pelos olhos de quem não está pensando
e por isso vive aquele momento.
É quando no simplesmente percebo sem olhar de frente
olhar de viés o tempo das coisas e o nada em volta.de tudo.
É quando sinto não poder estar em outro lugar
para ver o tempo senão ao lado de mim mesmo
prescrutando no silêncio a luz do dia transmutar
as coisas em mudas coisas lentas na mente
Tanta coisa...
e nada de novo pode mudar o que em mim pensa
enquanto o sistema financeiro faz da Terra
apenas uma pedra a girar infelizmente
mais rápido no espaço...

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

VIRTUOSE

VITUOSE

Amanhece no lado negro do hemisfério,
a luz que rasga o breu
também desposa a carne morta dos mortos vivos.
Entre as fibras tensas dos nossos ossos, no prumo do artifício,
soerguem miríades sobre o encoberto de um verbo novo.
*
Eis o milagre: sustentada, a vida é mais.
*
A densa necrose do verbo gasto a luz alcança,
do eterno desterro faz breve despojo
e uma sempre doce novidade nos amanhece.
*
Não tenha medo, precipite no caminho.
Veja as sobras do sol no sem rumo do céu,
a luz que murcha também reveste a rosa
de alegria e pode aquecer a terra
parindo no barro olhinhos miúdos de siris.
*
Se evaporo ou se do céu em fina luva desabo

visto e conjugo novo verbo aberta vida nova.
*
*
Baltazar

também o poema, desse penar que não esmorece, finda

dentro de cada um de nós existe um poema, em brasa ou em flor
uma ideia em gestação, um projeto novo de ser novo ser humano
mas nem tudo é fácil como tomar sorvete
encarar o poema é um desafio enorme
ideias queimam
flores murcham
a novidade tem o frescor do orvalho, dissipa tão logo veja a luz
depois de gerados, os filhos crescem e conquistam vida própria
o que era poesia ontem?
metas, mentiras, ideias?
tudo é dor
respirar dói
abrir os olhos dói
o sol na pele dói
tudo o que se queria ser agora é tatuagem
amor encoberto, camadas de não sei dizer
as palavras são inúteis, o poema é um aborto prematuro
no ato de saber-se 'ser aqui' sabe-se destinado ao fim
a gestação é inútil se não se morre mais
a morte necessária, o regresso na dor
a imortalidade é conquistada nas enfermarias
é a química ao desserviço da humanidade
se morresse, o poema veria a luz
mas a eternidade plastifica a poesia
também nas veias plastifica as ideias
é a certeza da sexualidade dos homens
orgulhosos de terem nascido homens
no mundo dos homens que pisam flores
que pisam poemas e fêmeas
metas, mentiras e ideias
é verdade, dentro de nós um poema pede calma
mas também pede por novas armas
por instrumentos e voz
escrever é conquistar o direito de nascer, de conviver
de ser e manejar habilidades de enfrentamento
a eternidade é para quem já perdeu a esperança
é a última cruzada para salvar os santos dos ultimos dias
nesse canto um quase-poema exalta a morte
a morte natural que vem no tempo certo
não a morte golpe desferido por língua maldita
e canta o canto
longevidade aos homens e mulheres de boa vontade
vida plena aos pares
às ideias casuais
ao ocaso no cais
vida plena aos inúmeros ímpares
logo aquele frescor será nuvem, chove orvalho ou chora
contudo, nasce a flor para não durar mais que o dia
e conserva desde a semente a graça da mortalidade
também o poema, desse penar que não esmorece, finda

Baltazar

DIA DOS NAMORADOS, PRA FALAR DE AMOR

Pode parecer estranho evocar a imagem de uma casa em ruína para falar de amor no dia dos namorados. Para falar de amor toda metáfora alça v...