quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

o teu amor conserta
tudo em mim,
tão fácil, o meu amor é assim
eu não resisto.

AMOR
nada possui
AMOR
sem afrontas
AMOR
nada zomba
AMOR
suporta, acrescenta
AMOR
conserta-me

na falta, teu amor inspira
na distância, teu amor espera
teu amor é vazo florido
teu amor é flor plantada
teu amor é assovio doce
teu amor acompanha meu canto.

 Baltazar

Ela beijou docemente sua boca e disse

Ela beijou docemente sua boca e disse: ‘há quem tem sede da verdade e confunde a realidade com a verdade da beleza; são pessoas convencidas que podem comprar o que precisam; dia e noite procuram sem cessa, mas saciam sua vontade nas gotas do orvalho sobre o vidro da existência sem notar a chuva de graça que do alto lhes sobre vêm.

Aquele beijo doía, a dor adveio segundos depois do prazer expandido na consciência embriagada. Ele retribuiu o beijo e disse: ‘Não tarda tudo evapora e seremos gotas de orvalho chovendo noutro lugar’.
Numa espécie de orgasmo incorpóreo concordaram que o essencial está disperso; que bastaria permitir-se e que só a poesia reuniria o que os sentidos distraídos separaram para compreender em vão; deram conta de que o essencial disperso resiste nas finas camadas de ausência inominável em cada coisa que existe; Souberam, depois daquele beijo, que o refletido na superfície é apenas efeito do que abaixo e acima das camadas da verdade e da beleza mudaria.

Como se duas bocas pudessem cantar enquanto se beijavam, voltaram-se um para o outro mais uma vez e num coro estranho de duas vozes mudas entoaram esse mantra que não pede explicação:
chegaria 
o tempo de reunir do homem os pedaços 
chegaria
o tempo de trazer o fragmentado ao templo da oração
chagaria 
o tempo de aceitar e reescrever histórias
chegaria 
o tempo de reconectar sujeito e verbo 
chegaria 
o tempo em novíssima oração

poema e foto de Baltazar 


SAUDADE NOSTALGIA NEBLINA

  É difícil extrair quem somos do que nos disseram ser. O nome que damos as coisas também tem nome, é o tal substantivo. Substantiv...