sábado, 25 de junho de 2016

AUTO ARQUEOLOGIA


AUTO ARQUEOLOGIA
Escavo mais e lá está,
aprofundo, escavo escavo
Lá está o escárnio,
a ossada do que fui me sorri fóssil.
Para o fundo escarro
no futuro, no pretérito.
É que eu ia, na carne eu ia
inconsciente da alma no altar do verbo.
Agora 'eu reverbera' na pele seca
do medo monolito, ânsia mesozóica.
Nesta cova obra mal inscrita
reencontro o que fui, ou que era
quem serei ou fora sob camadas
pré-cambrianas de vontade inútil.
Por graça ou gana
de súbito ergo-me do profundo
e sobre este vasto túmulo
resenha rupestre redescoberto
sou novo, saído homem de um altar desfeito.
Baltazar

A MÃO SERENA DA MÃE TRISTE

Acena do alto, é a mãe do moço morto
está na cabine do carro de bombeiros,
do outro lado do muro, do lado de lá da cova tão rasa igual a que nos espera fria.

Verde como nenhum mais
é o tapete gramado. E chega
o comboio ao destino comum.

A multidão canta baixinho,
com a mãe estou e canto.

O corpo, não tenho fome.
Canto morto.

Inútil, chega a mãe há tempo.
Toca a mão na terra, sinaliza a cruz.
Sô o silêncio de um punhado de pó...
Aém do espetáculo,
a mão serena da mãe triste.

Antônio B.

SAUDADE NOSTALGIA NEBLINA

  É difícil extrair quem somos do que nos disseram ser. O nome que damos as coisas também tem nome, é o tal substantivo. Substantiv...