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Mostrando postagens de Fevereiro 7, 2016

IMPACTO

No meu peito coube a queda de um planeta inteiro. Era um monólito
em trajetória sideral e certa.
Do alto vazio e oco, penso o impacto:
um lado esquerdo do meu corpo fica destruído
e nenhum direito preservado.

Antônio B.

RESSACA

O sujeito não se adapta, patético emociona. Sofre o lado sombrio do desejo,
anseia a ilusão prometida. O sujeito padece diante do muro
onde as sombras projetam horas infinitamente iguais. Sujeito à distração,
o sujeito anestesia a alma encontrada perdida. O sujeito pensa dinheiro e segue para o trabalho que o re-signifique.
Antônio B.

CRÔNICA DE VIAGEM: O MENINO E O LEITEIRO

Quando criança
brincava sozinho, brincava
sem saber que todas as crianças
brincam sozinhas.

Esta criança desenhava,
desenhando brincava de desdenhar tudo
porque tudo lhe parecia ser a última vez.

No chão imaginado
esticava a linha de um território gigante
tão grande que ia do muro à rua
e dali até as casas para depois delas inventar a cidade.

O circulo depois, depois do circulo
o circulo engolia a estrada, o campo e as vilas.
A linha estendida cobria a estrada imaginada,
pontilhava a terra saída do chão e os mourões agora caiados de branco.

Tudo era desapropriado.

Nada machucava a criança que era um menino
um menino que tinha estrelas mágicas na ponta dos dedos.

O circulo é mágico porque tem poderes sobrenaturais,
mas isso é segredo que não se conta nem para as formigas.
As rosas sabem porque ouviram dos enormes pés de couve que têm vida curta.
Não se pode confiar em quem vive tão pouco.

As estrelas que brilham na ponta dos dedos
Iluminam o circulo por dentro, iluminam o desenho, ilu…

DEPOIS DE MORTO

Outro dia, eu morri. É verdade. Ou, pelo menos quase.
Esse quase é verdadeiro porque eu não minto.
É da altura desmedida dos anos já vividos que afirmo
certo de que outro dia eu morri: a coisa toda é destino, acidente.
Sua vida pode ser apenas um caso contado, um conto onde não se encontra culpa
mas enredos e versões, impressões e desvãos, visões narrativas
para o como ou o quando do ocorrido.
Ou,
polindo os dados,
porque morri, vou inventar maneira de delongar certo estado de espírito.
O que mais faria, é um fato ter morrido. E depois, desencarnei tantas vezes nessa vida
que ainda sigo espantado, assim emendado pedaço em pedaço.
Vou contar mas antes advirto, componho versos para me distrair somente.
Narro mentindo, descobrindo o desnecessário afirmo um qualquer de verdade.
O destino é mesmo um acidente inevitável.
O destino são rasuras no passado, são como as linhas de um rosto que já foi conhecido.
O destino está nos traços de qualquer rosto desfigurado e desconhecido.
***
Já na c…