sexta-feira, 13 de novembro de 2015

MAS ISSO FOI ONTEM


PARA BILAC


na bruta
branca pedra
pura flor do Lácio 
adentra nonada
estéril frio marmóreo
da palavra repousada
a mão do escultor poeta

esculpe, descobre para não esquecer
TRABALHA E TEIMA, E LIMA , E SOFRE, E SUA

e se a mão que escreve
encontra vivo nas camadas da mortalha
o poema em versos dobrados envolvido
de novo e de novo entalha


Antônio B.

NO TEMPO CERTO

NO TEMPO CERTO

O creme facial anti-sinais usado por dona Efigênia estava velho, um resto no fundo do pote. 
Sua cara, estampada no jornal de domingo, parecia duas bandas de maracujá, de um amarelo enferrujado. 
Não coube processo.
O fabricante suíço advertia, nas letras miúdas da bula, que o produto tinha que ser aplicado no tempo certo.

Antônio B.

ESCOLA, REALITY SHOW ?



A minha escola fica no bairro Redentor desta cidade de ruas que se cruzam como se fosse tabuleiro, um tabuleiro que se equilibra sobre as colinas da Franca do Imperador.
Na escola, a diretora dirige, a coordenadora coordena, os professores professam e os alunos alunam.
Tudo se aprende nesta escola porque no entorno estão as antenas de rádio e televisão de todo o país, dizem que é perigoso... Acredito que seja o peso das ondas e não o peso das estruturas que podem cair se o vendaval.
Aprende-se muito na escola também porque os muros, com suas teias de arame-farpado e pontas e setas cortantes, não deixam o conhecimento fugir.
Quando saio da porta pra fora, saio alunando, meio alunado. Saio da escola professando meu desencanto e dou de cara com a realidade da rua, do bairro. A realidade da cidade decorada pelo azul desbotado do horizonte distante.
É quando eu penso: "será que estou dentro de um reality show?
Mas logo percebo que não, se fosse teríamos patrocinadores e empresas de olho nos talentos da rapaziada que não pode ser fotografada nem filmada porque isso de mostrar menor sem autorização nas redes sociais dá cadeia.
Coisa série isso de falar de cadeia, ninguém quer ficar preso.
Só os livros ficam presos, eles ficam na biblioteca que é o lugar deles. Ainda bem que dentro da cabeça de quem não lê existe muito espaço para ser preenchido.
Quando saio da porta pra fora e vejo os outdoors que tapam a vista do que está no mais longe, mais longe da porta da escola, destampo o guarda-palavras e decido caminhar um pouco.

Antônio B.

DIA DOS NAMORADOS, PRA FALAR DE AMOR

Pode parecer estranho evocar a imagem de uma casa em ruína para falar de amor no dia dos namorados. Para falar de amor toda metáfora alça v...