quarta-feira, 23 de setembro de 2015


CAULE DE LOTUS

como nunca antes
no breu da noite abissal
ergueu trompas de falópio
o silêncio que não se ouviu.

sem par em tão perfeita solidão
visgo de piche goela organismo e viço
mão em prece emudecida boca
corpo só olhos, era o silêncio que não se viu.

sem dar notícia de nenhuma superfície
eclodiu no ermo profundo e depôs o estandarte
carne sem carne do caule ainda sem flor.

dá luz para o lamaçal
abre-te lótus para o mundo
equilibrada na haste a letra desabrocha. 


Antônio B.

SUMMERTIME - para Aretha Franklin

no quarto imenso dessa casa pequena minha cama vazia parece um barco tudo embaixo é o silencioso tão escuro quanto improvável terreno m...