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Mostrando postagens de Junho 28, 2015

HELLO DAVI

Panóptico de Bentham, metamorfose
de Kafka:  Foucault balança
no pêndulo de Umberto.




 Antônio B.

CORPO OBJETO DE GENTE OBJETO

Faz tempo que pessoas são transformadas em objeto.
Faz tempo que o corpo das pessoas transformadas em objeto pode ser usado como papel.
... Faz tempo que pessoas transformadas em objeto têm o corpo mirrado ou alongado, atrofiado ou elástico, limpo, translucido ou sujo mas sempre borrado como se fosse apenas traço, marca ou linha de produto mal acabado em texto de anuncio bem escrito para outro papel.
Faz tempo, o uso contínuo do poder de transformar pessoas em rascunho de gente há tempos faz engrenagens funcionar.
Faz tempo, estilizados desenhos animados insurgem.
Faz tempo, insurgem.
Faz tempo, desenho animado estilizado parece corpo de gente transformada em objeto.
Gente de papel e tinta, faz tempo.
Gente de corpo sem alma, faz tempo.
Gente descrita, pintada, reproduzida há tempos.
Faz tempo, corpo esvaziado sob a pele vira óleo sobre tela.
Faz tempo, a máquina de fazer gente não para.
Faz tempo, o toner nunca acaba para o papel que nunca vem.


Antônio B.

O LAMENTO DE JOANA CARDA

Era tarde quando
pensei ter ouvido um chamado. E fui à janela,
abri portas, sai para a rua.
... Ninguém chamava.
Tinha mesmo, do meu amado, ouvido o canto?
Olhei atenta, janela semicerrada
portas entreabertas. Escancarada fiquei.
- É Nada, conclui. Apenas a voz do vento
em ronda triste infinda.
Porque o vento uiva, o vento chama quem ainda ouve
e convida para ciranda os desalojados da alegria.
Mas, se era o vento trazendo teu nome na dança
cantado, emudecido como o grito que no peito abafo,
por que té inda ao certo não sei?
A bem da verdade, de aprisionar tua voz emudeci
que nem se fosse passarinho presa.
De vez em quando ainda conto
que voa longe aqui dentro a dúvida:
teria ouvido eu mesma aquele canto
ou serias tu chamando de mansinho?



Antônio B.

AGORA SOMOS TODOS (GAYS) AMERICANOS?

Estão falando de bandeira, liberdade e conquistas - a História está repleta de histórias...
Foi ela, a liberdade, quem guiou o povo enfurecido ao Château de Versailles em 1789, de onde Luís XVI e sua rainha foram levados para a guilhotina.
Para Cecilia Meireles "Liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, não há ninguém que explique e ninguém que não entenda".
...
Minha bandeira é Bandeira,
- no poema, a liberdade de
escrever depois eu contA
me contenta a poesia!
Alimento meu corpo de pão-palavra
e alento esperança sempre,
quase sempre...
A aurora de um novo dia é o crepúsculo do mais antigo no mundo, tudo tem lugar e não cabe em mim.


Antônio B.

SOBRE LIBERDADE

minha bandeira é bandeira
rosa, lispector de pessoas.
... no poema, a liberdade de
escrever depois eu contA.

me contenta a poesia!
alimento para o corpo
é pão, palavra e alento.

esperança tenho, liberdade
sempre. quase sempre poesia.


Antônio B.

CONTRATO

Caro leitor, personagem assinante!
Tens em mãos contrato de autenticidade.
Pois leia atentamente e em tudo creia.
...
O pressuposto ardil do fingimento
no arranjo da composição de um poema
não pode ser fabrico menos inteligente:


leia
(entre fala, invenção
das linhas intenções,
vista) e assine. Sê poeta se acreditas!


Na escrita apresente-se,
cada quem sobrevive como pode.


Antônio B.