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Mostrando postagens de Maio 3, 2015

1º DE MAIO

Estou chocado com uma cena que vi na rua, agora há pouco. Um garoto que deve ter uns 14 anos, bonito e saudável, empurrava um carrinho de picolé e, de tempos em tempos, apertava uma buzina anunciando que vendia PICOLÉS!
Que mundo é esse, meu Deus!!
... Esse garoto deve perambular pelos bairros o dia todo sonhando com as moedas que vai receber... Vivemos tempos de completa inversão de valores: esse menino devia estar numa esquina, com mais um ou dois amigos, vendendo maconha, cocaína e crack mas NÃO... Não... Explorado por outro trabalhador, certamente obcecado por seu próprio negócio incluído no "simples", esboça um sorriso desconcertante para quem chega com sede e calor pedindo um picolé. Um picolé!
O que ganha esse coitado? Na biqueira venderia sem parar e muito, dia e noite. Fugiria da polícia brincando porque é "de menor". Faria amigos de verdade, irmãos, trutas. E ainda teria droga para uso quando e quanto quisesse... Mas não, lá estava ele vendendo P…

FELIZ ANIVERSÁRIO, ARIEL!

Abri as portas, abri as janelas
o mês invadiu minha história.
Não como intruso, um ladrão...
ou avassalador temporal.

Abril, sem alarde chega ao fim.
Acena, de mansinho vai embora.

Mês quatro, anúncio de inverno:
a vida recolhe néctar e viço
projeta luz, fios dourados!

Ariel nasce estrela de brilho
eterno: na antiguidade fora
cidade palestina, em Shakespeare
personagem para “A tempestade”.

Substantivo epiceno, nome próprio!

Ariel grande mercador em Veneza,
Ariel mestre de armas na Bastilha.
Ariel ministro israelense, Ariel encanta
Ariel canta adonai, Ariel canta Shalon
Estrela de cinema, Ariel adolescente
Ariel mãe dedicada, esposa amorosa
Ariel lê Clarice, é a hora da estrela - filha amada!

Hoje abri as portas da minha história,
e recebi o dia trinta de abril com festa e louvor porque é seu aniversário!
O mês despede-se Irradiando vontade, cobrindo de ternura sua jornada!
Meu desejo eu canto: sejas dourada, cora minha
e, abençoada, continue fazendo nossa história.

do seu pai toni…

TUPI NO BARRO, OU NADA

Trovador incansável, humanista renascido do inferno.
Clássico de quinhentos anos: cunha versos, coa café.
Arcade mineiro, romântico: caminha até à fonte e no caminho...
demora para sangrar a sola do pés porque adora.
Parnasiano ao relento cobre-se de flores deitado na grama da Vila Costina, guarda e conta rebanhos.
Moderno entusiasta dependente da fórmula “não quero saber” - tudo rotula bebendo cola, arrota cloaca e faz pose de warhol.
Manipula símbolos, especta dor.
De si diz pré, nunca pós e menos ainda “moderno”.
Contemporâneo, shakespeariano, palestino.
Católico de berço, evangélico por circunstância, exilado de capela.

Antônio B.

EDUARDO E HENRIQUE

prólogo

Eduardo manejou o bisturi entre os dedos que apertavam a tireoide, o corte foi preciso. Uma linha fina abriu rasgo até o umbigo, ali a mão cismou de parar. Ele teve a impressão de ter ouvido uma sirene de polícia. Besteira, a casa fica no meio da chácara, a cidade está depois da vicinal oito quilômetros. Ninguém o seguiu. Atento, as mãos de cirurgião apertam o entorno ...do umbigo e a pressão faz a carne ceder.

***

_ Eduardo, Eduardo! Acorda, cara você precisa descansar. Era Henrique trazendo de volta à realidade e ao mundo seu parceiro de quarto. Os dois descem da aula de anatomia e vagam pelo campus universitário. É quarta feira e não haverá aulas nos próximos dias por que um santo foi inventado na idade média.

_ Cansado, mas não morto! Eduardo vai logo dizendo que não pretende dormir tão logo. Atende o celular e diz para a amiga da sua amiga que não está a fim de ir para sua república, já tem compromisso. _ Sim, sim... Estou apaixonado sim, pensei que a Ana tinha dito à v…

CORAÇÃO DE RESEDÁ

Penso rosa murchando no chão molhado do meu sono,
recordo meu bem.

Colhi néctar para oferecer-te e embriaguei-me
no doce perfume das flores do seu nome.

 Flor de laranjeira, flor da lima, perfume de lótus.
Flor sílaba verde de jacinto, flores...
Flor de limão siciliano, de bergamota, flores...
Coração de resedá! Tu és madressilva, és crisântemo
meu jasmim, és rosa minha! Narciso à beira do riacho.
Banho-me no aroma da tua essência, oriental Chipre quase olíbano.

Não distingo quem sou de quem és.
É o que somos, mistura insensata de coentro,
sândalo, âmbar, patchuli, almíscar, musgo de carvalho e cedro.
Pensei rosa murchando, ânsia que provoca paixão e devaneio...

 Meu coração explode felicidade em flores de resedá.


Antonio B

UMA VERDADE

"Deus não escreve em linha reta" - citação extraída de uma cena do filme PROMETHEUS de Ridley Scot