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Mostrando postagens de Março 1, 2015
Alcântara Batista é um jornalista de meia idade morador de Santelmo cansado da hipocrisia que ronda os meios de comunicação. Alcântara publica em sua coluna diária no jornal "O DIÁRIO DE SANTELMO" textos provocantes, investigativos encharcados de lirismo. Nesse conto, em formato de carta, apresenta a cidade a partir das características dos personagens envolvidos na investigação de assassinato seguida da revelação, para o grande público, da identidade do assassino em série que aterrorizou Santemo por 20 anos. Ninguém mais publicaria essa carta, mas Alcântara...
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CARTA PARA SALTEMO

Esperei vinte anos para confessar meus crimes, esse é o meu momento. Dirijo-me aos cidadãos honestos e trabalhadores que repousam tranquilos porque não podem ser outra coisa. Eu sou. Matei cada uma das mulheres do caso que os jornais noticiaram, há algum tempo, encerado.
Sei que essa carta não será publicada, uma pena. Escrevo para Santelmo, tenho muito que ensinar.
A primeira li…

FOTOGRAFEI

Num instante o que era ordinário, comum e desprezível porque sem utilidade resplandece dourado, arde como sarça/voz divina!
Num instante as sementes do capim, revestidas de seda-pluma leve, se tornam mais belas que os lírios e os campos!
Num instante a vida se revela: é preciso manter viva a chama!...
Como se agradecesse ao Criador, fotografei!
Antônio B.

TODO DIA É DIA - homenagem ao dia internacional da mulher

Porque esperar 8 de março para dizer que a força e a coragem que têm as mulheres é, além de inexplicável e comovente, inspiradora aos homens de toda parte, toda cor, todo credo, qualquer idade, de todas as situações de gênero. Sejam elas castas virgens, mães que se ausentaram, mulheres da vida - que é eufemismo barato para designar prostituta, adolescentes sonhadoras ou amantes e esposas que cuidam do querer da pessoa amada e da família. Porque esperar se posso homenagear-lhes agora que vem-me ao espírito a gratidão por todas elas?

Antônio B.

HQ

Saio de manhã sabendo que o mundo acaba hoje.
Bato a porta que não reclama, acelero o carro.
A rua chama, bocarra vazia com fome....
Caco fônica, banguela: a rua mama faminta
e toma de gole quem passa. O medo no gargalo
da rua engole meus passos. Desabo, o mundo
cai do céu e molha na rua meu rastro.

Antônio B

CORPO

A morte é notícia de ontem, no jornal é palavra sem fome.
A vida chama faminta, consome e reivindica até o nome.
O corpo frio é prato saboroso sob a terra, no barro...
para os vermes e a grama. O morto não sente medo e não reclama
a sorte enquanto o vendaval promete más notícias na TV.
Antônio B.