sábado, 30 de agosto de 2014

CARTOGRAFIA


Noite oceano de mistério profundo, vem o meu amado!
Em ti navego seguro.
Para teus pés, cansados da jornada, óleo
de olíbano em cântaro de prata.
Beijarei tua face e tua boca dirá meu nome.
Minhas mãos descansadas far-lhe-ão coroa:
- trama de mini rosas pontuada por sementes de ervas doce.
A cabeça do meu rei exala o perfume das ramas de hortelã,
das folhas do capim cidreira, das raízes do vetiver.
És o orvalho da manhã. Tomilho úmido, fresco.
És o aroma da manjerona plantada aos pés da laranjeira.
Suspiro de amor eterno coroado de perfume.
Ardor dos cuidados efêmeros, doce cálculo do perfeito.
Súdito vassalo, regente das vastidões.
Oh! Noite! Corpo do oceano sem fim.
“Encontrei-o! Não o deixarei jamais.”

terça-feira, 26 de agosto de 2014

TESE SOBRE UM HOMICÍDIO - RESENHA


Uma tese é uma obra inacabada, aberta. É rascunho e exercício de uma escrita que se põe à prova. O corpo de uma tese leva no seu bojo a possibilidade de antíteses num jogo dialético que ultrapassa limites e abre fronteiras.

O filme argentino “TESE SOBRE UM HOMICÍDIO”, dirigido por Hermán Goldfrid, mostra Buenos Aires a partir da imagem panorâmica da faculdade de direito.  O discurso narrativo segue o mesmo plano, aberto e geral, quando o objetivo é ostentar a arquitetura clássica das tramas dos filmes policiais. O discurso descaminha para os detalhes quando começa a investigação.

Acontece que um corpo de mulher jovem, deixado no estacionamento da faculdade, acaba por envolver o professor advogado criminalista. O advogado, cinquentão charmoso aposentado, interpretado por Roberto Bermudez. 

A investigação segue a trilha dos detalhes. Nenhuma lógica parece satisfazer a busca pelo criminoso.  Uma das melhores cenas é a que “justifica a necessidade do crime”. É a sequencia em que somos levados até o museu onde a Pablo Picasso tem retrospectiva. Ali, o suspeito surpreende o investigador e o convida para se deliciar com um quadro específico. Não é “GUERNICA” mas um quadro que representa a crucificação de Jesus. 

O suspeito jovem, ao ensina o investigador homem maduro ler os objetos representados no quadro, em êxtase, conclui: o sacrifício é necessário.

O filme parece contrariar os planos cartesianos que conduzem a história de forma linear quando a narrativa se completa com cenas que acontecem na cabeça do protagonista. A síntese que quase formulávamos se torna, mais uma vez, em tese. E a trama continua...

As melhores sequências parecem sonho, delírio de alcoólatra ou anseio de psicopata – e não sabemos, por fim, se a “motivação” seria mesmo uma possível paternidade negligenciada. 

O filme parece ser a obsessão de revelar o crime perfeito. Sem conclusão o desfecho faz jus ao nome do filme.

AMABILÍSSIMO

onde está o próximo, o distante onde fica? a cabeça oca e o coração no cio de toda gente estão vazios. finjo fugir da forma ana...