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Mostrando postagens de Julho 7, 2013

da boca pra fora

Sobre esse pedaço da cidade a nicotina que escapa dos meus pulmões vaga contra a luz do segundo poste e tenho a impressão de que o fantasma que habita meu corpo saltou pela janela, da boca pra fora.


TANTO

Devo piscar antes de ver, devo lavar antes de comer, devo pensar antes, falar menos, devo tanto.
Fechar antes de sair, abrir se for permitido, lembrar o que escrevi no bilhete: onde estão as chaves¿
Devo retribuir o sorriso e não falar com estranhos:- fumar depois do sexo é clichê de cinema americano.
Mas,  é tempo de construir! erguer andaimes nos arranhas céus já que as bolsas de Nova York em Seul estão vazias de dinheiro.
E por toda parte há fome: as coisas agora têm fome... mesmo uma sombra anda a devorar o calcanhar distraído.

E os passos rápidos e lépidos e ligeiros e vorazes e disciplinados não levarão mais a lugar algum: nem onde, nem quando. Porque nunca desejaram sair se para a firmeza no chão foram feitos , e antes de caminhar estão.
De olhar as nuvens as guardo doces, E de amar tanto apascento teus rebanhos.
E basta tombar para o lado A cabeça que releio a carta, o bilhete memorando, a cena memorável de qualquer instante.
E a fome volta a devorar as sombras... as sombras a luz e a luz o dia com suas …

cavalo de fogo

Chorei como se sentisse
toda água do mar
em volta e em cima de mim.
Queimei de febre na cama, no barco
e as velas içadas imóveis despregavam do mastro seco teimando sinalizar que a terra firma ficara pra trás.

Mirei ilhas e arrecifes disformes,
de certo modo perto,
de imerso cego,
de vivo desespero na costa desse naufrágio inesgotável,
dessa imensidão de azul regado de estrelas mortas.
Onde a foça dos cavalos?
onde fênix  o fogo da nossa origem?
de mim e ti?

MENINA BONITA

Espere por mim, menina bonita espere até tarde, pela manhã. Espere por mim, não desista menina. Que a noite é longa mas as estrelas estão lá pra fazer lembrar toda gente triste que mesmo a mais distante, mesmo aquela que já não brilha mais, ainda pode ser vista na escuridão mais inesperada. Então espere regando as flores esquecidas, tirando da estante o  primeiro romance,
trocando os guardanapos da mesa.

VELEIDADE

VELEIDADE

O mesmo anjo nada disse, seu / canto 
sereno nos meus lábios pousou. Sem
asas, auréola ou memória. / Nu, desfalecido.
Cândido.

Sei que nunca viveu, não sente o chão
que piso, não fala de onde vem,
não responde "para onde vou".

Sobre os juízos retirou as sombras, e riu.

Das intenções passageiras e da vontade
imperfeita fez eternidade. / Baixando os olhos
entoou o cântico mais doce para não dizer adeus.