segunda-feira, 13 de maio de 2013

HEROTIKA



Meu deus, não devia ter permitido isso. Que barulho foi esse? Estão na cozinha, é barulho de quem está mexendo com fogo, ai meu deus.  Conheço Helena ha tanto tempo e nunca pensei que seu marido fosse, desse jeito. Como ele é gostoso! sempre quis dar pra ele e pensava que a Helena não merecia a traição. E agora tô aqui algemada numa cadeira, vendada esperando sei lá o que. Ele tem aquele modo de por o olho na gente e só tirar depois que tira a roupa da gente sem as mãos, dá um tremor, arrepio que sobe a nuca e desaparece no alto da cabeça. Quando ela me falou que ele queria trepar com as duas eu gelei. Gelei porque era tudo que eu queria, Helena tem seios duros e mamilos empinados. Antes de por a venda nos meus olhos foi ela quem ofereceu na minha boca a taça redonda do peito rosa. Ela dizia apertando minha cara neles: sua língua isso mais forte morde devagar isso mama menina isso menina molha sua língua isso forte suga suga suga.
Enquanto sua mão direita aperta minha coxa a esquerda se perde entre minhas pernas, e sou um espasmo só. Tanto tremo que ela pede, gemendo baixinho no meu ouvido: “aí”...
Estou molhada da cabeça aos pés. Chegamos aqui carregando dois baldes fechados e um foi derramado em mim quando sentei nessa cadeira: uma mistura perfumada e morna de lavanda e óleos. As mãos dele são grandes e firmes, Helena sentou-se no meu colo depois de algemar minhas mãos, secou meu rosto beijando cada milímetro de pele molhada, lambeu o pescoço sorvendo aqui e ali do que ficara da mistura, e ele... introduziu na boca dela alguma coisa que mal coube, e depois usou um lenço para amordaça-la. Eu cega ela muda, o que ele pretende? Confiei tudo à eles e agora ela está assim tão passiva quanto eu, não esperava essa atitude da minha amiga que sempre foi modelo de mulher determinada, emancipada e dominadora. Estão voltando, estão na sala. Na sala, estão voltando, ai... que isso? 
Aaaaaai é quente e dói... 
ai... 
a... 
ah... 
... 
Uhn! cheiro de cera derretida, fogo perto do rosto... é uma vela, das de sete dias. Escorro lava, a erupção vem de dentro e melo a ínica peça de roupa que deixaram no lugar, ah..., ele (ou ela, não sei mais distinguir...) está derramando no meu colo, no pescoço e nos seios essa gosma quente que desce devagar queimando, e pára  seca. Agora na nuca, shmsmsdói. Reverbera na ponta dos dedos o ardor, arde nas pontas dos dedos, nas unhas das mãos e dos pés, querem fazer de mim uma boneca de cera. É quente, ah.
De novo, novamente, e mais uma vez.
No mesmo lugar, e se pingassem esse fogo na minha boca? E se queimassem minha buceta com essa porcaria de vela? Só de pensar tremo toda, e parece que ouviram meu pensamento, deve ser as mãos dele, pesadas e firmes, é ele: força minhas pernas, empurra os joelhos em 90 gruas e mete o quadril entre minhas ancas. Não! Não! Assim, assim... delícia, eles vão me matar de qualquer forma, que seja gozando.
O que será tem no outro balde? “Pegue as cores” é a voz de Zaad, seco como um tronco de cedro, doce como sândalo, e quente. Estão arrastando o balde que agora me parece pesado, ele disse “pegue as cores”, é tinta! As mãos dele é uma presença colorida na minha mente, na mais desoladora escuridão, é um tuaregue de cabelos negros e raízes prateadas semi cobertas por um turbante de seda, seu hálito quente é brisa na minha cara e ele  vem tingindo tudo em mim. Estou lambuzada das mãos dele e penso rosa, turquesa, jade. “Sirva a ela, e antes na minha boca”. Diz. O cristal cola na minha boca e bebo, mas o Moët Chandon está na boca dele, engulo por ele, sinto por ele, desejo a boca de Zaad. E ele vem, seus lábios estão molhados como os meus, colam-se e ele “bebe” e deixa escorre pra que eu, beija flor, possa perceber a mistura de saliva e champagne, Zaad está descendo minha garganta, espesso, árido, desértico. “Sua vez, querida” e Helena aperta meus seios e colorem sabe lá de cores, um depois o outro. Exala o aroma dele quando beija minha boca. As algemas estão apertadas, tenho a impressão que vão tirar a venda. Quero ver essa mulher que permite seu homem ver minha alma sem temer perdê-lo. Estou à beira de perder me de mim, que importa? Quero essa mulher dentro de mim, quero seu homem, todas as cores. Quero mais. Quer ver tudo.
“Solta as mão dela” diz Helena sem meio tom.



CHUVA BRANCA NO CERRADO

 


Não tô achando jeito pra contar a história daquele dia, duma chuva branquinha no cerrado. Nós tinha passado no João Soares pra pegar as enxada emprestada pra trabalhar na roça, no outro dia. E aí a chuva começou, e forte. Eu entrei pra dentro da casa e lá fora a chuva, muito forte. Eles tudo ficou com medo, veio atrás cada um com seu medo diferente pra dentro da casa do João Soares. Deixaram eu sozinho na sala, a casa até tremia, mas o esteio era de aroeira. E o angico lá fora. A cobertura era  de palha de buriti, não faz baruiada. A chuva entrou no descampado e eu na casa do João. Compadre Luís subiu a estrada correu a entrar na casa, a chuva branquinha no cerrado, eu com medo. O Luís correu com o Gerardo e foi embora, passou do curral pulando feito doido e subiu a estrada pro morro, foi topar com a canga d’água. Ir embora, tinha pau de sucupira quebrado por lá, chuva forte, na estrada. Pra baixo da casa do Gerardo tinha um morrinho mais alto naquele alto, o pai foi esconder atrás do jatobá mas que jeito, que era fino não escondia nada, diz ele depois que quase morreu e que o vento sapecava a cara assim, dava as costas o vento vinha e dava de topa com o Jatobá e sufocava ele. Nosso pai chegou em casa nos passo apertado, pai quase morreu, com a chuva. Lá naquela mata dava cada trovão, estalo, de vez em quando onça gemia lá. O Gerardo era o irmão da mãe, meu tio o Gerardo, um mundão de fazenda danada e a onça, a chuva, o vento, meu pai, o angico e o jatobá. O angico era de dois tronco, em gancho e um raio trinco ele de racho. Foi feio, que matava criação e mãe rezando em casa pro pior não acontece, quando cheguei.
_A chuva vai matar o Zezé aí no caminho, ai minha santa Bárbara, falei-Deus. Mas eu tô aqui agora te contando: vivi pra isso – no graças a Deus.

DIA DOS NAMORADOS, PRA FALAR DE AMOR

Pode parecer estranho evocar a imagem de uma casa em ruína para falar de amor no dia dos namorados. Para falar de amor toda metáfora alça v...