sábado, 4 de maio de 2013

Que fim levaram todas as flores?


as flores estavam nos canteiros e os canteiros nos quintais

o quintal cercava a casa que ficava na rua sem asfalto que de tão comprida ir dar na mata
na mata havia flores, e nas copas das árvores as flores eram frutos mais tarde
mais tarde aprendi a ouvir os pássaros que sabiam ouvir as flores, e vinham pro banquete, se fartavam e resolviam ficar por ali
as flores tomavam banho de sol pela manhã, e ainda hoje se diz que nos feriados elas migram nas azas do vento, giram na sobra das nuvens e se deixam descansar na terra úmida.
Muitas flores estão por aí, outro dia na calçada vi brotar um gira sol. Mas aquelas que estavam nos canteiros, aquelas que estavam no jardim não estão mais lá, nem a casa está, nem a rua, e a mata deu lugar a mais casas. Sei, no entanto, que ainda estão em mim arranjadas, as flores que se abrem no coração nunca são arrancadas. E dizem, não sei se nos livros antigos, que devemos agradecer por tanto quanto saberiam elas fazer por nós.

ARGO - uma resenha do filme


Argo vai se ferrar

Tenho receio de dizer que acabo de assistir ao melhor 
filme (do gênero!) dos últimos anos, talvez desde “Platoon” e “Apocalipse now”.  Não sou crítico de cinema, apenas encantado pela linguagem. O fato é que a embaixada americana no Iran foi invadida e os funcionários dela ficaram reféns de milícias xiitas cansadas dos desmandos da América. No entanto cinco americanos fugiram na brecha que tiveram e foram acolhidos pelo embaixador canadense. Como resgatá-los nesse momento de crise?
Uma operação inusitada, e por isso mesmo pode dar certo, é montada. O dinheiro dos contribuintes norte americanos será usado, pelas mãos da Inteligência, para financiar a produção de um filme em Hollywood: é preciso ter credibilidade e envolver não só o mitiê e o gueto multimilionário da “cidade dos sonhos” mas também ganhar o mundo através da credulidade da mídia que deve ser enganada para dizer a verdade e ainda assim continuar mentindo...  assim, em Teerã, todos também acreditaram nas referências. Um toque de Midas!
Aos cinco americanos exilados na casa do embaixador canadense caberia os papéis de diretor, assistente, diretora de arte, produtor e seleção de locações algo como “uma equipe que está a dois dias na cidade/país para escolher os lugares adequados para realização do filme que ainda está nas pranchetas na forma histoyboard.
A tensão aumenta em frequências que pulsam como o coração dos envolvidos na trama e, aos poucos, estamos dentro do que  - ao final, quando é citado ao inverso e pelo ator que interpreta um grande ator que interpretou um produtor que representava estar realizando um grande filme medíocre – “ a história que começa como farsa e termina como tragédia”.
A propósito, Fargo é uma referência aos argonautas tripulantes e aventureiros em um barco comandado por Jasão que partem em busca de uma “relíquia” muito valiosa que foi roubada e está no território do inimigo.

Quanto a expressão "ARGO vai se ferrar" é uma maneira de espantar o medo de que  a "estréia" da operação não dê certo. Como no teatro se tem o hábito (adquirido ainda no tempo do Brasil Império) quando se deseja "merda" para os envolvidos na peça. Uma referência à quantidade de merda/cocô de cavalo na frente dos teatros que era uma forma de quantificar o público que estava presente para ovacionar o sucesso: então MERDA É SUCESSO! 
Mas essa é outra história! 

Mas essa é outra história! 

terça-feira, 30 de abril de 2013

A casa do fim da rua - resenha do filme


Gosto de filmes de terror. Alguém já disse que é a forma mais aproximada de se conhecer um povo ou o que está acontecendo num determinado país: assistindo os filmes de terror que são produzidos ali. Mãe e a filha mudam-se para uma casa nos arredores de uma comunidade pacata, longe de Detróid, e vão viver ao lado de uma casa com um passado terrível. Nela uma jovem psicótica assassinou os seus pais. Apesar dos habitantes dessa comunidade insistem que a rapariga desapareceu após os brutais assassinatos, mãe e filha rapidamente descobrem que a história da sinistra casa está longe de ter fim.
Jennifer Lawrence (a heroína “jogos vorazes”) desempenha bem o papel da jovem que se rebela contra a mãe para dar atenção ao jovem rejeitado. No entanto é Maximillion Drake Thieriot (ator que faz o irmão que sobrevive à chacina dos pais)é que dá ao filme o status que merece. Sua atuação é primorosa, tanto que nos surpreende na trama a cada momento e sem estardalhaço. O filme herda uma trama parecida com a de “psicose” (de Alfred Joseph Hitchcock). Max estrelou em 2009 o thriller de terror  do diretor Wes Craven ( do clássico “hora do pesadelo”) substituindo Henry Lee Hopper (filho do ator Dennis Hopper).
A cidade quer esquecer o passado e lucrar com a saída do jovem sobrevivente, mas a linda Jennifer Lawrence já está apaixonada. Bom filme e, divirta-se quem puder.

DIA DOS NAMORADOS, PRA FALAR DE AMOR

Pode parecer estranho evocar a imagem de uma casa em ruína para falar de amor no dia dos namorados. Para falar de amor toda metáfora alça v...