sábado, 27 de outubro de 2012

CULTURA INÚTIL

As sanguessugas (anelídeos) são animais invertebrados e hermafroditas que têm uma enorme diversidade morfológica. Existem mais de 600 espécies diferentes, entre elas há as terrestres, marinhas e de água doce. São parasitas temporários que se alimentam de sangue. Seu corpo, ligeiramente achatado, é constituído de cabeça, tronco e cauda, e está formado por diversos anéis. A sanguessuga tem uma mucosa bucal, equipada com dentes que usa para cortar a pele de suas vítimas. Suas glândulas salivares secretam substâncias anticoagulantes (hirundina) para prolongar ahemorragia, vasodilatadoras e um anestésico local (para evitar que o animal atingido perceba sua presença).
A sanguessuga medicinal europeia (Hirudo medicinalis) é a espécie mais famosa, seu corpo chega a 20 cm de comprimento, e é utilizada para fins terapêuticos há mais de 2500 anos. Em lugares como Roma, Grécia e Síria, estes animais eram usados para chupar o sangue de muitos lugares do corpo. Eram as chamadas sangrias, realizadas porque se acreditava que podiam curar desde dores locais (algo comprovado) e processos inflamatórios até obesidade, gota, tumores, distúrbios mentais, nefrite, etc.

EU FORA DE SI

Eu pensava sentado num canto quando entrei na sala, levantou o olhar na minha direção e não disse nada. Ergueu o braço direito e baixou a persiana, na mão esquerda tinha um livro que fechou quando se deu conta que ficaríamos ali por mais tempo que supunha.

UMA QUESTÃO DE GÊNERO - Querelle




Teatro mágico no cinema


MERGULHO

Não sabe a lua a gravidade que não tem


se mergulho na atmosfera 

ARQUEOLOGIA


escavo mais profundo e lá está,
escavo e lá está o escárnio
a ossada fóssil.

mais profundo escavo e lá estou,
aprofundo só eu ia eu.
 
então resvala, reverbera
ecoa num surdo apelo monolítico
de ânsia mesozoica pré cambriana  
a resenha pintada nas cavernas
de chauve na serra da capivara
eu ia eu.
 
 
 

TEATRO MÁGICO



Quando as cortinas se abriram assisti o mundo ser criado diante dos meus olhos. Estava no cinema pela primeira vez aos oito anos acompanhado de uma vizinha, a mãe de Beatriz. Era o cine Vera Cruz de Uberaba e ela exalava as mil e uma noites Contoure cujo frasco de cristal enfeitava a cabeceira de sua cama. Mulher misteriosa como o aroma invisível das dálias vermelhas e de sorriso ardente como dos gira-sóis. Maria é o nome da mãe de Beatriz e porque levara-me ao cinema é uma pergunta que não tem resposta menos mágica que a luz projetando as aventuras de Aladim numa Arábia ainda Persa. Era o tempo da infância, então tudo é memória. Antes da contra reforma da contra reforma protestante, universal por moda e definição, os cinemas mais tradicionais cobriam a mega tela com uma cortina luxuosa que, hoje sei, foi meu elo de ligação com o teatro. No instante em que as luzes se apagaram o ar ficou preenchido por gritos, risos e aplausos numa catarse coletiva entusiasmada, ansiosa e encantada. Do filme  a única cena que posso descrever com precisão preto e branca é o momento em que Aladim, reduzido ao tamanho de uma formiga,  está preso numa caverna cheia de perigos vigiada por um gênio da mal gigante, numa fração de segundos o Gênio da Lâmpada o traz de volta mas, agigantado. Tudo nele é enorme, inclusive uma pulga de traz da orelha que ardilosamente usa como arma jogando sobre seus inimigos, o monstro dispersa os vigias causando pânico e Aladim está livre.  A magia está nos olhos de quem vê, e quando qualquer cortina ou pálpebra  se abre o espetáculo continua no proscênio.  

SOU MAIS SOPHIA

Tá feito, a Sophia e eu somos amigos, já temos uma relação e afinidades. Confesso aqui que esse era meu temor: que isso não acontecesse (insegurança de avô de primeira viagem, besteira! Agora sei!). Ontem ela dormiu nos meus braços e depois eu do lado dela, já sei acompanhar seu olhar e sei que ele dura mais tempo na superfície das "coisas" e isso me encanta. E mais, ela está andando antes mesmo de completar um ano dia 18 de novembro. Minhas filhas não se parecem em nada comigo, Sophia tão pouco... mas, existe um lugar que ninguém conhece ou vê, toca ou bule, em que estamos e somos UM SÓ. É ali que EU SOU, é ali que somos EU e ELAS. Já amo Sophia... do meu jeito bill e sei que faço parte do que virá a ser essa pessoa que se faz diante de nossos olhos a cada dia como uma flor do dia que se abre todas as manhãs.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

CÂNTICO DOS CÂNTICOS


Vem do Líbano, vem! 
Meu esposo terá por coroas os cumes dos montes, dos altos cimos do Hermon. Tu me feriste, feriste o meu coração.

Vem do Líbano, vem! que eu pertenço à meu amado
E ele é tudo para mim. 
Vem, saiamos para os campos! Moraremos nas aldeias, sairemos às vinhas pela aurora e delas colheremos frutos.

Levante-te depressa, meu amado, vem! 
Eis que o inverno já passou e o tempo dos figos chega, apanharemos flores nos campos porque voltou o tempo das canções.

Põe-me por selo em teu coração como tatuagem no teu braço, nosso amor é forte como a morte e as águas não apagarão.

Dar por ele todos os bens da casa seria despreza-lo.



O FATO LÁ FORA

O fato é que Dercy Gonçalves estava coberta de razão quando disse, ao ser entrevistada e pela milésima vez perguntaram à ela a "receita" de viver muito, "Tem receita não minha filha, a gente vai vivendo, saio na rua e pá: um carro bate no outro, junta gente, o sangue escorre e vem ambulância, eu fico lá parada vendo a vida acontecer, e é assim". E é assim, lá fora o fato acontece, a vida continua, os carros avançam o sinal vermelho, o marido de uma Rose leva duas facadas no bar, vem a ambulância do SAMU e a vizinhança sai no portão, uma adolescente diz que foi tudo muito rápido e a mãe chama ela pra dentro de casa. Na outra esquina a operadora do caixa da mercearia nada sabe do evento, está dentro do trabalho. Num instante a voz da sirene avisa que aconteceu algo e todos se perguntam onde estavam quando o fato acorreu.



quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A igreja muda

 Helenice Meire



 
Olha que interessante...

Na minha época de mocinha quando eu ia a esta Igreja aos 

domingos eu 

observava a diferença das 

classes sociais. Por exemplo,

do lado direito de quem entra 

eram pessoas de posses, 

pessoas mais ricas e de 

famílias tradicionais e do lado 

esquerdo de quem entra 

eram as famílias de classe 

média e os mais pobres .As 

pessoas tinham nariz empinado e se olhavam com ar de 

orgulho e poder..... Graças a Deus, de muitos anos 

para cá mudou este conceito e na hora dos cumprimentos,

somos obrigados a cumprimentar a todos em nome do 

Senhor (aí não tem classe social, é rico, é pobre, classe

média.


QUE BOM QUE MUDOU....

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

ENTARDECE



A vastidão do desejo está disfarçada de horizonte.





Entardecer na vida é como ter feito uma corrida de obstáculos sabendo de antemão, que não venceria de forma normal ou comum á toda gente que o viu ereto e andando em frente,  aqueles em toda parte, gente que nas temperaturas do labor: se esforçam para que seus  alicerces  sejam suficientes para trazerem em segurança seus filhos e suas propriedades, para que possam erguer seus narizes para o alto e respirar o ar do futuro que cada um idealiza.


Tudo é mesmo ilusão, o que existe é um imenso vazio que chamamos de Universo, nossos órgãos são formados de células e - essas mínimas estruturas de vida se relacionam em um caos harmônio em ritmo acelerado recheado de vazio.

Sinto que entardeço do modo como as frutas são vistas no pomar, na hora certa da mangueira, na hora certa da figueira, no exato instante em que o limoeiro deixa no ar o sinal de sua potência, então tudo é cheiro de flores de laranjeiras. Tudo é quimera em construção e entre as colunas o vazio é coberto por paredes de vidro. Quando a casa viria à baixo e os reconstrutores ali se juntaram para decidir: demolir ou não! vingou a decisão de preservar o imóvel porque sentirem ali uma presença que não se via, que não se movia. Sensibilizados pelo aroma da tarde carregado de melissa e cabeça de velho caminharam sem pressa por entre o jardim menor. E era ali que o destino da casa estava em boa mãos, entre as espadas de São Jorge uma estátua em barro de São Francisco segurando duas pombas implorava com seus olhinhos miúdos: considerem que as plantas moram aqui há muito tempo, que as primaveras que foram vendidas como"anãs" ocupam muito espaço e cobrem os muros, que  essa casa é a casa dos bentivis, dos quero-queros e as pombas que cantam ao meio dia também são inquilinas aqui. E, considerando que o João de barro se esmerara por fazer do barro sua morada, a casa permaneceu. E entardece, também. A praia está deserta e lisa, o mar está sereno e azul. No fundo de um navio morre meu sonho à naufragar" (*)



(*) Ultimo verso de "pus meu navio..." de Cecília meireles.


CÉU DE VOTU

(Comentário de Eduardo Enrique Maripangüi Lillo no Facebook)

O céu de Votu não se compara com 

nenhum, é único...


Eduardo me emociona com esse comentário! Sério, vem de 

"tão longe" - Santiago do Chile - de perto dos picos das 

cordilheiras... e repete encantado o que eu ouvia sempre de 

Votuporanga. E ainda cada vez que olho pro céu vejo a 

cidade que busquei um dia e que trago comigo por onde 

vou.

domingo, 21 de outubro de 2012

Alguém me tocou - Evangelho comentado


Alguém me tocou
Marcos 5, 21-43

Cada um de nós vive seus dias na esperança de poder encontrar alguém com quem possa compartilhar sua dor. Não é exagero dizer que todo ser humano sofre, essa é a base do budismo inclusive, aceitar que "tudo é dor e que a dor vem do desejo de não sentirmos dor" - repete o refrão escrito por Renato Russo. Vida longa, vida breve... não importa o quanto se vive, sempre haverá a esperança e o desejo de ser aliviado. Nessa passagem do evangelho uma mulher toca nas vestes de Jesus timidamente mas com a força de quem espera a cura do seu mal, em meio à multidão, e certamente proibida de se aproximar por ser mulher e doente "de sangue" (sofria de hemorragia). Acontece o milagre que só ela percebe. Mas espere um momento: ALGUÉM ME TOCOU! Alerta o Messias, QUEM? Jesus percebe que dele saiu virtude, que alguém havia se beneficiado com o poder de sua candura de espírito e faz desse momento uma lição para todos que o cercavam pois que, todos aqueles que o cercavam já haviam tocado nele mas apenas uma acreditou ser ele capaz de lhe trazer alívio para o corpo e esperança para a alma. O que realmente pode aliviar a dor é a fé que se pode postar no semelhante.

SAUDADE NOSTALGIA NEBLINA

  É difícil extrair quem somos do que nos disseram ser. O nome que damos as coisas também tem nome, é o tal substantivo. Substantiv...