sábado, 13 de outubro de 2012

ECOS E SOMBRAS - Lucas Pacor (no Facebook)

Comentário de Lucas Pacor sobre o texto "amai-vos uns aos 

outros" em Evangelho comentado. Reproduzo seu texto aqui

 para que suas palavras não se percam e, claro, por 

vaidade! "Agradeçe", Lucas!





 Grande, fantástico, fabuloso. Falo como pessoa que ama, 

como alguém que é fascinado pela boa escrita e, também, 

na minha condição de ex seminarista. Poucas vezes li 

teólogos definirem de forma tão acertada e poética o amor 

tal como você fez nessas linhas. Parabéns, acho-o um 

homem muito peculiar e, certamente, os que o chamam de 


"louco" 

são os que ainda se encontram amarrados no fundo da 

caverna, somente vislumbrando parcas e cinzentas sombras. 

Parabéns por ter ousado sair da escuridão da umidade dela 

e mesmo depois de se estasiar da beleza das cores e 

formas do mundo "além escuridão" ter tido a ousadia de vir 

nos chamar à LUZ. Pena que a você, assim como todos os 

demais que lhe antecederam, não foi dado crédito. Mas 

alguns poucos souberam "lhe 

dar ouvidos" e trilharam seu 

próprio caminho rumo ao sol.

 Portanto, meu OBRIGADO, 

para toda a posteridade.




leia aqui o texto "amai-vos uns aos outros"
http://depoiseuconta.blogspot.com.br/p/saramago-palavras-para-uma-cidade.html

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

O BEIJO DALI

O BEIJO ANTECIPA A IMPOSSIBILIDADE DE ENTENDER
E FAZ SENTIDO  ESTENDENDO O LAPISO DO PESADO

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

LISBON REVISITED - Álvaro (Pessoa) de Campos


Álvaro de Campos

LISBON REVISITED (1926)


(ilustração: Francis Bacon)

           
Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja —
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver na rua.
Não há na travessa achada número de porta que me deram.
Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta — até essa vida...
Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do Sul impossível aguardam-me náufrago;
Ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.
Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas coortes por existir, esfaceladas em Deus.
Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar,
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligadas por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?
Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.
Outra vez te revejo — Lisboa e Tejo e tudo —,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...
Outra vez te revejo,
Sombra que passa através de sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...
Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim —
Um bocado de ti e de mim!...
26-4-1926

terça-feira, 9 de outubro de 2012

DEJEJUM



Então, bom dia!

Faça chuva ou sol, faça mais 
ou faça menos, um bom dia!
Um dia de 
sol e um copo d'água fresco, talha de 
barro, caneca de alumínio, folhas 
frescas colhidas na horta esperam 
na varanda à mesa posta.

As galinhas ciscam esquecidas de seus ovos...
- pra acompanhar omelete suco de laranja.

PORQUE O TEM AINDA

Concordo que menos prozac e mais Platão seria conveniente, 
acredito que se cuidasse mais demonstraria afeto, até faço ver um mundo novo na vertigem da publicidade mais poética. 

Faz de conta que páginas ganham vida e toda gente acreditara nos teus dias,  
na tua dor, 
na tua sorte. 

E que tenha morrido mais de uma vez nessa mesma encarnação, eis! que não é mentira. 
O criador fez esse e mais outros 
e outros mundos. 

É um dever avisar que a roda da vida  está em movimento, e para que toda gente saiba, 
sempre estará. 

Porque movimento é a ordem maior do universo! 

Mas esse girar, 
esse mover, 
esse entrar em si mesmo 
acontece quando se permite que aquilo do qual não se tem controle venha, 
quando, por exemplo, seu pai está em seus braços sem poder lavar o próprio corpo e você se reconhece nele, e pode chorar porque o tem ainda.  

SAUDADE NOSTALGIA NEBLINA

  É difícil extrair quem somos do que nos disseram ser. O nome que damos as coisas também tem nome, é o tal substantivo. Substantiv...