sábado, 18 de agosto de 2012

ANTICRISTO


'O Anticristo' foi redigido em 1888, mas Nietzsche não chegou a acompanhar a publicação, pois, como se sabe, ficou demente no início de 1889. A obra saiu apenas em 1895, editada por sua irmã, que expurgou algumas passagens. Em quase todos os seus livros Nietzsche discute a religião e a moral cristãs, mas é em 'O Anticristo' que essa discussão alcança a forma mais desinibida e polêmica. Ele faz uma reinterpretação do cristianismo inicial, distinguindo entre o que teria sido Jesus de Nazaré e a interpretação que o apóstolo Paulo fez, algum tempo depois, da figura e dos ensinamentos de Jesus. Para Nietzsche, foi São Paulo quem transformou Jesus em Cristo, foi ele o verdadeiro inventor do cristianismo. O livro oferece, entre outras coisas, uma crítica ao conceito cristão de Deus, uma análise do tipo psicológico do Salvador, uma psicologia da fé e dos crentes, uma comparação entre o budismo e o cristianismo, envolvendo uma concepção bastante heterodoxa sobre a natureza do cristianismo. No final, este é condenado como uma religião niilista e negadora da sexualidade, ou seja, contrária aos valores vitais. 'Os ditirambos de Dionísio' são nove poemas 'inspirados' pelo deus Dionísio, que para Nietzsche simbolizava o oposto dos valores cristãos.

Saio cedo, navego longe.

A liberdade que já não cabe no mundo  tem morada no meu barco.  Saio cedo, navego longe.  Também pesco palavras fora do lugar.  Se sant...