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Mostrando postagens de Julho 15, 2012

ENTRE VISTAS, COM MANUEL BANDEIRA

_ Farto do lirismo comedido? _ Não. Mesmo da hipocrisia se pode tirar algum verso. _ Então, diga lá, o que o distrai dessa vez? _ Estou farto do cristianismo apóstata que usa bengala. _ Deu agora para ser ateu? _ Se leva esse nome quem não crê no corpo que vai ao pó e é restituído, sim. _ Te cuida que isso é blasfêmia. _ Também blasfemaram outros e ainda ocupam os mesmos lugares na sinagoga. _ O que precisas é caminhar, deixar que seu corpo experimente endorfina. _ Sei. Pois bem, fui até o centro da cidade e a cidade estava parada no mesmo lugar. Fui até o centro e a cidade estava caminhando. Fui até o centro. _ Caminhaste pouco. _ O suficiente para refletir  sobre a proximidade do joio e do trigo espalhados pelas calçadas e marquises, dentro e fora das lojas, dos dois lados da praça da igreja matriz e mesmo dentro do templo. _ Não há descanso em caminhar pensando. _ E que culpa levo eu se para sobreviver preciso por a cabeça sobre as cabeças e despi-la de chapéu e máscaras? _ Isso é o que quer pen…

Irmã lua

DELEUZE

Escrevemos o Anti-Édipo a dois. Como cada um de nós era vários, já era muita gente. Utilizamos tudo o que nos aproximava, o mais próximo e o mais distante. Distribuímos hábeis pseudônimos para dissimular. Por que preservamos nossos nomes? Por hábito, exclusivamente por hábito. Para passarmos despercebidos. Para tornar imperceptível, não a nós mesmos, mas o que nos faz agir, experimentar ou pensar. E, finalmente, porque é agradável falar como todo mundo e dizer o sol nasce, quando todo mundo sabe que essa é apenas uma maneira de falar. Não chegar ao ponto em que não se diz mais EU, mas ao ponto em que já não tem qualquer importância dizer ou não dizer EU. Não somos mais nós mesmos. Cada um reconhecerá os seus. Fomos ajudados, aspirados, multiplicados. (Deleuze e Guattari, 1995: 11)




Ratos roem caixas e livros na escura e mal iluminada sala que se alonga feito corredor, por ela se avista a fila de prateleiras que se equilibram no vazio sobre a cidade. Nu Adão alonga o corpo criado e vai a…