sábado, 28 de abril de 2012

E SÓ ASSIM CONHECI O MESTRE

Tenho uma história pra contar: morei 4 anos em Uberaba, usufrui dos serviços-dentista do centro do Chico e nunca o vi. pouco antes dele desencarnar participei de um excursão que saiu de Votuporanga para conhecer vários trabalhos espíritas de Uberaba, E SÓ ASSIM CONHECI O MESTRE, toquei sua mão... a mão de um homem, velho, simples, tranquilo e sereno!

terça-feira, 24 de abril de 2012

MERCADO

Desça a proteção das vitrines, 
que não importa mais saber se nos olhos de quem passa 
acha-se sombra qualquer da vontade.
É como se fosse feriado amanhã, não há mais pressa no passo,
e como teria, se também no fosso caminham sem dizer bom dia?


O largo do caminho delicia, entre voltas e voltas,
o mais experiente viajante. Que mesmo sendo única
a vida se repete.


Do outro lado da rua tem uma sorveteria, apinhada
sempre nos tempos quentes, pela juventude
sedenta e forte, que nos dão as costas hoje.


O que vestem foi comprado aqui,
o que comem também. Foi comprado aqui
os seus sonhos e, em suas casa, dormem
tranquilos. Abastecidos de toda sorte 
de aventuras e seda, luz elétrica e água encanada


Feche as portas, não venderemos mais.
E guarde nas prateleiras o que foi revirado
pela manhã. Quando sair para a feira,
terei um momento para esquecer.

domingo, 22 de abril de 2012

Dia de Xamã

Todo mundo sabe o quanto a ciência moderna deve para a alquimia, o quanto a química deve para as plantas e quanto o cérebro humano é condicionado pelo cotidiano que se vive. Não quero fazer apologia de nenhum aditivo químico para a expansão da consciência mas, participar de um ritual xamânico, sempre foi um desejo meu. 
Guardei até quando pude o acesso restrito ao círculo mágico porque queria, romântico que sou, ir até o Xingu já que de um xamã apache estou muito longe.  E fui como convidado, nenhuma taba à vista e logo estávamos na porteira da chácara, um recanto de terra cercado de serras que dão em Claraval. Éramos quatro, um primo com seu filho (se não faz mal pra uma criança não vai prejudicar ninguém) e sua sobrinha que tinha tantas reservas quanto eu, minto, bem menos. Trazer a alma vestida todos a trazemos porque só se nasce nu porque logo em seguida são fraldas, mijões e toucas. Cada um de nós esperava uma coisa, uma viagem pessoal e intransferível nos meandros do inconsciente. Eu, que sou ambicioso quando se diz de espiritualidade e ao mesmo tempo crítico demais, temia não voltar da jornadas, pra tudo tem sua hora. Foram horas de word music numa caixa de som altíssimo grudada nos meus ouvidos, à cada faixa da trilha sonora eu estava num país e pensando na cultura que havia ali, não nessa globalizada mas nos fundamentos de até onde eu podia ir no tempo. Foi assim ouvindo Enia que me esquivei da Polygram pensando nos druidas celtas cercados de totens no alto de um penhasco isolado. A noite foi regada com três doses de chá de   Waskariums Mariskóidis  popularmente conhecida waska. O sabor encorpado é amargo e intenso, de uma textura ou densidade parecida à de um xarope, tem um fundo nesse sabor que remete a terra, talvez a cor ajude nessa associação além do sabor e de uma "borra" suave de boa vinha. Fui a segundo a ber depois do menino, privilégio já que depois de mim se seguiram caretas das mais repugnantes, as pessoas tremiam enojadas, até parecia se tratar de óleo de fígado de bacalhau. Curioso. E a viagem não veio e eu fiquei cansado de esperar, cansei de analisar, refletir e contra argumentar.  Não desliguei, não me entreguei, não passei pela porta. Infelizmente, já que tudo que precisava era justamente encontrar o botão e descansar noutra realidade, numa outra dimensão que explicasse mostrando numa visão a relação dos arquétipos que venho reunindo ao longo dessa vida. Meu  animal totem não se revelou pra mim, deve ter ficado preso numa jaula dessas que construí pelo caminho. 


A VIDA NÃO VALE O DRAMA

já não me interessa discutir quem veio antes se o ovo ou a galinha se a arte copia a vida ou se a vida a imita  certo é que o drama é meno...