quinta-feira, 15 de março de 2012

De costas para a Zona Norte, na Tabacaria

Devo sair à tarde pra comprar o presente dela e penso. Fico indiferente diante das vitrines dos grandes magazines e penso. Peço um sorvete na padaria e penso. Há pouco tempo se dizia de Franca que esse lugar no mapa era o fim da linha, que fazer compras tinha endereço em Ribeirão Preto e hoje em qualquer esquina, com um pouco de exagero,  pode se encontrar mercadorias e preços. Morei no bairro Leporece quando ainda não havia ali mais que dois "bolotas" e hoje tudo está mudado por lá... é o progresso pelo qual pagamos ICMS.  Mas ainda não comprei nada para dar de presente hoje à noite, então, melhor apressar o passo e traçar melhor meu roteiro, passo por oficinas mecânicas, farmácias, postos de gasolina, bares, daqui posso ver o Shopping do Calçado mas sapato não é o que procuro. Do alto da avenida tenho uma vista privilegiada do centro da cidade que se espalha num ritmo concreto e dou as costas para a Zona Norte, e penso. Talvez que o presente ideal fosse algo que traduzisse esse espírito de crescimento, de euforia, de fartura ou, pelo contrário algo que demonstrasse a efemeridade das coisa que pretendem nos impressionar, peço coca-cola no bar da esquina e reparo que não vendem cigarros ali, dou meia volta e fico parado diante do sinal vermelho do semáforo não porque estou dirigindo mas porque o infindável trânsito impede a passagem dos pedestres, sem pressa espero a ciranda dos sinais e das cores no semáforo, é nesse momento que reparo na tabacaria. Ela não está ali por acaso, foi inventada para responder a meu desejo de encontrar o que espera por mim para se tornar um presente de aniversário. A menina que vem me atender está comendo chocolate e antes de dizer "oi" joga no lixo a folha de alumínio que cobria seu kopenhagen, a variedade de formas nos lançamentos para a páscoa invadem meus olhos e não consigo decidir se é chocolate o melhor presente, peço cigarros e pago, saio da loja e percebo que estou atrasado, decido que a vida é breve e que levarei chocolate hoje como tenho levado a vida. O tempo que durar o sabor amargo e doce, estarei com ela. Penso que muitos não irão compreender, acho que precisamos juntar as duas idéias. Realmente, carecemos de um pouco de realidade.

segunda-feira, 12 de março de 2012

Ana refez o caminho e está de volta

Ana refez o caminho e está de volta, Deus a quis por perto para servir doces e incluir novas receitas na infindável mesa posta. Assim me receberá sorrindo vestida de muitas cores e dizendo, Fui eu quem fez esse bolo, Bill. Alguns daqueles dias serão inesquecíveis... ao de tamanha alegria ou de tamanho conforto. Ana esteve do meu lado e eu a reconhecia como à minha irmã Denise, ah! como se pareciam ... e eu estava em Votu, longe da minha família vivendo a minha parte. Foram banhos de piscina ouvindo Beatles, sucos de cidreira, balanço na rede e muitas panelas e pratos saborosos. Aprendi que a falta de alguém ocupa um espaço mais concreto que a presença...  ali está, aqui estamos! Ana Bacana!

Depois ele conto Jajá de Guaraciaba




NOSSA SENHORA!!! O seu "PARADOXO" é maravilhoso. FRANCAmente é raríssimo de se ver uma crônica tão bem delineada. Embora, castiços, seus vernáculos foram totalmente inteligíveis. Já fiz muitas reflexões sobre as condições psíquicas do homem, mas nenhuma se equipara à sua. Mil congratulações, meu caro Baltazar Gonçalves. Você é tão bom com as letras quanto o Baltazar (antigo centroavante do Corinthians) era com a bola. Tive muito prazer em ler você. Voltarei breve. Abração e boa semana!

Quem escreveu essa palavras foi o autor Jajá de Guaraciaba
Pilar do Sul/SP - Brasil, 69 anos
que pode ser lido no site:
http://www.recantodasletras.com.br/autor_textos.php?id=80646

Partimos, estrada e eu


A estrada pediu em segredo que a levasse até onde o sol se põe 
partimos, estrada e eu
inventado lugares onde desaguasse igarapés e
desenhando a próxima curva
onde os ipês fossem plantados já em flor.
Num instante a estrada sumia para dar lugar a serra
e quando sentia sua falta, lá estava o mar...
Tudo é azul, menos esse perfume:
é o cheiro inventado das flores de laranjeira, 
saídas de outra página, 
que ocupa o tempo que resta até que possamos chegar. 
E vamos nós, lembrança de terceiros, para que o corpo faça sentido nos lugares em que falte nossa luz.

Então, é como eu ia dizendo




Novela naquele tempo não era artigo popular eram vistas como entretenimento para mulheres, isso para camadas menos favorecidas da sociedade, de modo que meu pai olhava de lado quando a sala ficava povoada de mulheres, às vezes vizinhas que ainda não tinham aparelho de televisão e as de casa, reunidas para esquecer suas vidas por algum tempo. E eu que passava ao lado da vida via essa cena de um canto esquecido. Numa daquelas noites foi assim, de madrugada me pareceu oportuno ligar o aparelho que mais me parecia um dispositivo para comunicação extraterrestre. Fiz isso acreditando que fosse um sonho, me parecia ser o horário da novela e que todos tinham esquecido disso, tinha que avisar a todos mas antes conferir se aquelas pessoas estavam vivendo o que tinha prometido na noite anterior. Uma luz amarela invadia uma das janelas que fora deixada aberta, a brisa soprava de um ângulo mais obtuso da terra. Do escuro ecrã surgiam pontos luminosos incandescentes que formaram uma imagem muito impressionante. No conjunto a cena de uma mulher vestida de longo vestido branco, chamuscado pelo fogo que fazia arder tudo em volta, ela restara ao lado de uma grande árvore no alto de um morro, sua voz ergueu para o céu um lamento e se pôs firme ao dizer, como se armada de lança e escudo, Jamais passarei fome! Há muito tempo trago essa lembrança que o vento não levou...

AMABILÍSSIMO

onde está o próximo, o distante onde fica? a cabeça oca e o coração no cio de toda gente estão vazios. finjo fugir da forma ana...