sábado, 3 de dezembro de 2011

O golpe das jóias (quase um conto)

A única razão pra dizer tudo está na vaidade, e a minha é dizer a verdade mentindo. Eliana está feliz porque fica noiva essa noite. Nem se lembra de quantas vezes temeu nunca realizar seu sonho. Sei disso desde os meus dezessete anos quando presenciei numa festa de fim de ano seu desabafo para uma amiga, tinha bebido e aos prantos dizia que sua performance em enganar os homens a aniquilara, o que mais quero é ser de um homem só. E aos vinte decide que roubaria as jóias da mãe dela como seu noivo. Fiz disso meu projeto de vida, às favas quem me julgar, são as mesmas pessoa que cegam os próprios olhos diante da mesquinharia de suas vidas. Essa noite quanto todos brindarem no jantar o futuro promissor da nova família que meus espermas prometem os quatrocentos anos de pérolas e rubis ficarão em boas mãos, as minhas. Nossas malas estão prontas, só não vamos para o mesmo destino, sedada elá seguirá para o Marrocos e eu para um distrito esquecido no mapa da Austrália. Enquanto o velho de Oliveira Gramado estiver discursando começo a chorar discretamente emocionado com sua fala, assim roubo a cena e me levando, me coloco de pé a seu lado sugerindo que serei seu braço direito e, depois de nos abraçarmos emocionados direi o quando o Yaveh tem sido generoso a esse servo indigno em conceder um lorde como sogro e uma princesa adorável por esposa.  De volta ao meu lugar na mesa abraço a mãe dela e só não arranco aquele colar que usará por que tenho paciência. Beijo-lhe a testa e por fim convido a todos para a valsa, então de mãos dadas a Eliana. No entando, nesse momento ela está de frente ao espelho admirando seu armani verde turquesa. Parece uma diva, não, Eliana é uma diva. Sei que seus sapatos estão naquela caixa redonda com motivos árcades e agora sobre a cama, ela é tão previsível, sorte minha. Mas nem sempre foi assim, e eu conto. Melhor dizendo ela faz isso por mim. Recebi sua carta perfumada adolescente depois de ter dito que não tínhamos muito em comum, que apesar da pequena criação de gado no cerrado de Goiás minha família não podia, nem em sonhos, me lembro bem de ter dido esse clichê, figurar nas mesmas páginas da história. Ao que ela escreveu: "Julieta seria capaz de simular a própria morte se a Romeu fosse imputada a condição de escalar as paredes de seu aposento, quero te ter por perto por mais um milhão de vidas, e depois acordar do seu lado e morrer em cada beijo!". O ponto de exclamação é dela como é dela cada citação. Quem admira o que escreve e chega a satisfação  já tem por perdida a distância que o cerca dos limites da realidade. Estava na hora de virar o jogo. 


Mas, o que estou dizendo se cada palavra prolonga ainda mais o tempo que ainda falta para a chegada, o momento em que passo à ação. Eliana não é mais que personagem de uma história que invento mas, se mesmo eu sou personagem, então melhor agir. Protagonista? se tenho domínio sobre o destino dessas pessoas, sim, mas não sou ingênuo, não posso me dar ao luxo de deixá-los perceber nenhuma janela, acaso tenham mesmo vida própria. O que me resta de fato é não pensar no lugar que ocuparei na narrativa, e me deixar levar, se me permite é claro. É um luxo isso de viver a vida. Penso que atirar-me com empenho no que planejo é mais que você poderia inventado ardis para narrar um único fato, de onde te vejo estou protegido e não preciso me preocupar com o ponto final, mas você se contorce e fica prezo no tempo que recria. Por isso e por mais um pouco de capricho sigo agora para o condomínio da minha amada. São palavras colocadas na minha boca, não amo ninguém. E não tenho pena de pensá-la deprimida pro resto da sua vida inútil, o tempo que dispensei para Eliana paga o tédio de sua vida castrada. É ali? Entremos juntos, e não saia mais de perto de mim, quando isso terminar faremos um brinde.


Aceito o convite, brindemos o amor que chega como a primavera ao Líbano, como o verão no Rio de Janeiro. Inesperado desde sempre. Vem, que os convidados esperam na outra sala, meu querido. Essa noite será sua aquela que sempre te amará e, tenho certeza, de um modo que nem os anjos ousariam. Não, não trago nenhuma surpresa no sorriso, impressão sua. Porque está tremendo, os convidados te esperam, meu amor.


Evidentemente vou dar a ela uma noite inesquecível, estará sob efeito do champanhe caro e minhas mãos a levarão ao paraíso mais uma vez, pobre menina rica, pensa que ainda sou aquele rapaz que um dia pediu emprego ao pai dela. Sou mas não aquele que ela conhece, tudo planejado, ambiente seguro, nasci rato e tenho orgulho da minha situação, não é a primeira que me diz "faço qualquer coisa por você".


Vê? Todos te esperam com paciência, e ali está o oficial que vai conduzi-lo até a prisão, mamãe usa o rubi e as outras jóias não estão mais onde você as queria, caso inédito me disse ser esse o homem que te seguiu durante a semana, saiba que vou recompensá-lo pelas noites intermináveis e os beijos ardentes, uma vez a cada quarenta dias irei vê-lo para certificar-me que terá bons cuidados e não correr o risco de ser esquecida. Está tremendo? Não se apavore, acaso se esquece de ser calculista? Não é pra cadeia que vai, o ostracismo é mais interessante, está tudo de acordo, seus pais deram em troca do escândalo a fazenda e as poucas cabeças de gado plantadas no cerrado. Sua estada  no Ártico será um arrepio, posso garantir. Tudo planejado, meu amor.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Para ninar Sophia

As lembranças que trazemos é o tecido com qual costuramos os laços mais bonitos para enfeitar que amamos. laços de cores vivas, tons sobre tons, carmim, seda, organdi azul. Laços que inevitavemente podem se desmanchar com o tempo, se transformarem em nó, ou simplesmente serem esquecidos porque não estão mais na moda. Alguém cantando nessa imensidão de silêncio toca meu coração, embala a passagem da noite e cala as perguntas mais sofisticadas que posso fazer. Onde estarei amnhã? Onde estará o amanhã? Onde estará?





Canção: Alguém cantando - Caetano Veloso




Estevão representa: vídeo

Uma tarde com meu sobrinho Miguilim, chegou em casa meio irritado porque com sono e já tnha tomado banho. Os pais tinham compromisso e pediram pra eu ficar com ele. Já vi isso em filmes... comigo ele despertou! e saímos pra rua pra fazer fotos: ele vstido de superman e eu de havaianas... Fizemos arte como se vê no registro (nos vários registros!).

Saio cedo, navego longe.

A liberdade que já não cabe no mundo  tem morada no meu barco.  Saio cedo, navego longe.  Também pesco palavras fora do lugar.  Se sant...