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Mostrando postagens de Agosto 7, 2011

borboLETRA

Uma singularidade é um ponto, início. Momento de encontro, águas ainda fótons.  Profusa linguagem líquida no diálogo das margens.
Ponto de luz na tela / trajetória da criação. Frescor do hálito / pitada de imaginação.
O líquen sobrevive na terra / o atum migra, pantanal. Tartaruga marinha cria asa / As borboletas leem.
Asa sua esquecida / artefato luminoso.
Equação astrofísica / Na tela, Tanísia.



MELANCOLIA - o filme

Dividido em dois extensos capítulos, “Melancolia” se dedica em registrar o comportamento de duas irmãs em ocasiões definitivas, tendo em comum a onipresença do planeta Melancolia. A primeira delas, Justine (Kirsten Dunst, prêmio de melhor atriz em Cannes), se casará com Michael (Alexander Skarsgård, do seriado “True Blood”) enquanto uma sucessão de contratempos familiares surge, culminando numa celebração que resgata muito de “Festa de Família”, obra assinada pelo também dinamarquês Thomas Vinterberg e primeira a figurar na lista do movimento Dogma 95. Não é difícil notar que Justine é uma jovem deprimida, forçando uma harmonia que não lhe pertence. Será na segunda e última parte da história que conheceremos melhor sua irmã mais velha Claire (Charlotte Gainsbourg). Casada com o rico astrônomo John (Kiefer Sutherland) e mãe de um filho (Stefan Cronwall), ela está visivelmente temerosa quanto à previsão que anuncia a colisão entre o planeta Melancolia e a Terra. Com um esplêndido prólogo…

A ORIGEM É O ALVO

o túmulo que te aguarda liquefaz vida

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
depois abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar.
Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre dos meus dedos
colore as areias desertas
O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho dentro de um navio...
Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.
Depois, tudo estará perfeito:
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Cecília Meireles



Sem açúcar, com afeto.

Quando fico sozinho e a visita se foi
penso no que foi dito. E no silêncio oco da cabeça ecoa as últimas palavras da conversa que já embalava entorpecente sono leve.
Mas resolvo isso indo até ao portão,  ao carro. Como cãozinho que se despede abano a mão,  aceno, e faço rasgar numa última despedida o riso da boca esgarçada. Aprendi com o Dauri o que antes me parecia mal educado: impedir que a visita tomassse seu rumo e fosse embora, que durasse mais estar perto. Por isso seguro com palavras o seu tempo e exploro sua permanência com terceiras intenções, é que pretendo uma mais valia genuína: guardar para mais o sabor da sua figura. E assim, quando no oco escuro da boca fechada, estiver sozinho ainda possa sentir um hálito fresco da sua presença.
Ainda estamos, leia em voz alta uns versos do Caeiro enquanto preparo o hibisco.
Sem açucar, com afeto.

Rosângela (por e-mail)

Quem será   capaz de nos persuadir de que existe problemas maiores que os nossos?

AREIA DE IBIRACI

Não adianta procurar na internet por "areia de Ibiraci". A rede não responde. Não consta, por ali, nada que remeta à cor da areia de Ibiraci. De modo que é preciso descrever.

A imagem imprecisa entornou o tempo e, em minhas mãos desertificadas, edificação.

Acontece que eu parei, andava e parei na frente de uma montanha que mais parecia um iceberg amarelo. Frio, sobre a encosta,... o universo tinha desabado uma parte da sua parte mais alta. Como se ao longo da queda, desenhado linhas parecidas com aquelas que se vê em fotos das dunas no deserto ao por do sol, caísse pronto.

Parei, e o tempo

Com o dedo brinquei de redesenhar outro mundo. Monocromático, pensava Clile, Machu Picchu. Pensava movimentos de libertação movidos pelo comércio de coca. E não pensava em nada.

Pensar diante daquele amarelo era não pensar.

A cor invadia meus sentidos.

Era só cor, mas irradia.

Li mundos que desmoronavam ao menor toque. O que é mundo, afinal instante? Ibiraci é o que é sendo Ibiraci.…

COMPLEXO JACÓ

COMPLEXO DE JACÓ

Peço desculpa se a leitura decepciona,
é que a mensagem foi mal dirigida no título e
quem lê certamente padece do mesmo mal e
procura análise, e fala com amigos, e escreve sonetos, e programa viagens, e pensa no egito, nas pirâmides, na esfinge
e atravessa o vermelho (antes o egeu) depois de antes o mediterrâneo.
Peço desculpa pelo incômodo da distância dessa travessia de todo um atlântico: esforço tupiniquim de pena imersa na palestina. A mensagem no título foi mal digerida e trocada por um prato de lentilhas.
Se jacó, cego como édipo, soubesse ler o sinal
isaú seria nome de israel e os analistas amigos meus não teriam emprego, nenhum esforço na leitura do título nos serviria 

EVANGELHO COMENTADO: amai-vos, uns aos outros.

EVANGELHO COMENTADO: amai-vos, uns aos outros. João cap.15, VS.12

Um caso de vírgula bem colocada. Não sou clérico, sou leitor.Nessa passagem do evangelho “O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros” o que nos é dado a conhecer como verdade é um conselho. Um conselho para se viver com mais qualidade de espírito. Ame! mas, sem distinção pois que trata-se de amar apesar da distância, do gênero, da língua e da origem social... uns aos outros. Visto dessa forma, talvez anárquica, a ordem a que se aspira não é conjugada, controversa, nem difusa. Ao contrário unifica e dá forma ao que é perene e que vem recebendo o nome de natureza humana. Amar assim leva quem ama a lugares antes inimagináveis. A hospitais, favelas, presídios, a amigos a tempo esquecidos, ruas consideradas impróprias, e também à boca de quem se ama. Assim o que era estreito e apertado se alarga, a vida passa a ser um grande parque habitado pelo semelhante, aquele que parece comigo mas é diferente de mim. Nas palavras…