sexta-feira, 3 de junho de 2011

Não vou pro céu




Vou morrer
e sem escala vou direto pro paraíso,
dos bobos.
Lá esperto não entra.
Não entra porque prá lá não se leva mala,
nem mala nem lista dos melhores do ano.
Espertos vão pro céu,
que paraíso é outra coisa.

No paraíso não se mora em casa,
sobrado ou palácio,
no paraíso não se come sentado,
em talher ou prato,
No paraíso não existe ouro, prata ou cobre.
No paraíso só entram os bobos.
O bobo gosta de andar descalso,
sentar na grama e deitar ao vento,
morro e não vou pro céu.

No céu só tem azul,
águas límpidas porque não tem peixe e
não tem peixe porque não tem planta e
não tem planta por que não tem terra.
Na terra sempre tem uma semente morrendo
duma morte que alimenta outra vida,
daí sempre ter verde no paraíso.
E tantos são os tons
que mais me parece o céu distante.
Não vou pro céu, fico no paraíso depois de morto.

No paraíso vou encontrar não só o Leão,
meu primeiro cachorro que morreu de velho,
mas também o Xerife e o Valente desaparecidos,
matarei a saudade da Bambina, da infanta Sofia
e dos que irão depois de mim
o Mocotó,
o Blue
e o Pi,
meus irmão de sangue que nunca verão
as chaves dos portões do céu guardados por São Pedro.
No paraíso não existem portas nem janelas,
portões e muros nenhum.
No céu deve de ter até computador.
Não,
morro e fico é no paraíso
com os cães que são o próximo do bobo.
  
Por que bobo não pensa, bobo é.
Bobo não é esperto,
o esperto pensa que é.
O esperto tem o céu por herança
e a eternidade como recompensa.

Dessa vida o bobo não leva nada, porque não precisa.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Eu reconta Marina Colasanti

De tanto procurar é o nome do conto de Marina Colasanti
que está no livro que reune 12 histórias fantásticas,

cujo nome é Do seu coração partido.





Essa é a história de um homem que andava sempre olhando pro chão em busca do que os outros perdiam por aí. Vive sozinho e tem os bolsos cheios de quinquilharia. As noites passa enamorado de seu tesouro disperso iluminado à luz de velas. Certo dia batem à porte e um jobem vem perguntar se ele não teria encontrado um chave que perdera. Foi a velha da esquina quem disse que o senhor encherga por 2. Tinha encontrado três chaves e o jovem levou-as prometendo devolver as que não servissem. Não volltou e passaram-se os dias. Batem à porta, nessa que ninguém procurava, no lugar do jóvem uma mulher que tinha perdido um dos brincos, trouxe as duas chaves que não serviram ao rapaz e as devolveu. A fama desse homem que encontrava coisas perdidas se espalhou pela cidade e ele de imperceptível passou a ser notado. Muitos o procuraram e muitos dias se passaram até que toc, toc, toc uma mulher pedia ajuda. Ando  perdida entre as horas e os dias e procuro o juízo que um dia tive. Desconfiado dela dispôs-se a acompanhá-la. O barulho do sapato dela parecia as batidas na porta tac, tac, tac. Mas acontece que os caminhos por onde ela procurava o juízo eram diferentes dos caminhos que ele sempre percorrera e, aos poucos, saíam da cidade e ganhavam os bosques, as fazendas, as colônias tortas de todo vilarejo, e aos pucos aquele ritimo tornou-se íntimo de seu coração tuc, tuc, tuc. Então, com a primeira primeira brisa da primavera ele abaixado gritou, Achei! De pé estendia a mão oferecendo o achado. Mas não foi o juízo dela que encontrou. O homem, de pé, estende a mão e lhe oferece a primeira flor da estação. Desse momento até hoje caminham juntos, sem juízo perdidos os dois.




terça-feira, 31 de maio de 2011

Tanísia, um presente

Na casa do Bill - entre livros e música

Em frente a casa da Mãe-veia

Na casa da Regina

fotos antigas da familia

Dona Luzia tem hoje 74 anos e seus olhos azuis ainda brilham com a mesma intensidade, não tem parada e lê sempre. Em casa houve uma diferenciação no tratamento dos avós para, talvez, diferenciar lado paterno do materno, com razões pedagógicas ou apenas carinho. Assim os pais de minha mãe são Mãe-véia e Pai-véi e os pais do meu pai Vovó e Vovô. Dona Luzia agora se aventura pelo virtual e, deslumbrada, e sempre é possível se encantar na vida, pediu que eu digitalizasse...



aos 14 anos


16


aos 18 com a Benfica, filha da Nica


 
21 com amiga, Tereza


a noiva




39, recem chegados de Uberaba em Franca





Regina bebê, a mãe da Tanísia!



Maria Imaculada, mãe do meu pai - Vovó




Tio Dico, irmão do meu avô - o Pai-véi
  



Deinise (minha irmã) brinca no quintal da "primeira casa" da vovó, Grama-Vila Costina



Esse eu que te vê do centro e de pé tem os punhos fechados e os olhos bem abertos

 Regina, Luzia com Rosana no colo e Zé Lara
 Eunice, Baltazar, Joana D'Arc e Donizete




COMO ALFINETE EM PALHEIRO

Dizem que um cara falou demais desafiando a ordem que funcionava muito bem assegurada pelo medo e pela força da violência. Foi num tempo r...