Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de Fevereiro 27, 2011

A carta do pai

Aprendi a saborear as nuances entre os signifacados das palavras com meu pai, homem de pouca escrita. Quando ele sorria esfregando as mão e repetia uma palavra lançada no ar sabíamos, ele e eu, que havia um mundo novo ali. Em 1978 tínhamos retornado a Franca e ele ficara em Uberaba por conta do trabalho: depois de deixar as trincheiras do campo especializou-se em "guarda de patrimônio" - nesse casa Mendes Junior. Vinha a Franca a cada quinze dias e a saudade. Toda falta não é gratuita. Um único escrito, essa carta em forma de poesia enviada naquele tempo é sua obra prima, meu pai é homem de poucas palavras.








RECORDAÇÕES DO PASSADO
José Lara Gonçalves

Vou contar para você o que na minha vida eu passava quantas vezes eu entrava no meu quarto e de tristeza chorava No serviço tinha meus colegas que comigo muito brincavam eu tinha que dar meu sorriso mas por dentro  meu coração chorava Quantas noites na minha cama com sono mas não dormia com tanta tristeza em meu coração por estar longe da…

Moacyr Scliar - luto/ A mulher que escreveu a bíblia

Trecho:
"Bastava-me o ato de escrever. Colocar no pergaminho letra após letra, palavra após palavra, era algo que me deliciava. Não era só um texto que eu estava produzindo; era beleza, a beleza que resulta da ordem, da harmonia. Eu descobria que uma letra atrai outra, essa afinidade organizando não apenas o texto como a vida, o universo. O que eu via, no pergaminho, quando terminava o trabalho, era um mapa, como os mapas celestes que indicavam a posição das estrelas e planetas, posição essa que não resulta do acaso, mas da composição de misteriosas forças, as mesmas que, em escala menor, guiavam minha mão quando ela deixava seus sinais sobre o pergaminho."(p.41)