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Mostrando postagens de Fevereiro 20, 2011

Tanísia Messias Reis (por e-mail)

Olá Antonino,
Como vc sabe eu adoro dança  e nesses dias eu estava assistindo aquele programa "Se ela dança eu Danço" no SBT e vi algo que me surpreendeu... não entendo nada de dança, mas de emoção eu posso dizer. Apareceu um rapaz, chamado Jhon Lenon da Silva (olha que coisa mais brasileira!) e falou que ia dançar Hip Hop Dance, só que a música escolhida é de um ballet famoso "O Cisne" que trata da morte de um cisne...
Jhon Lenon? Da Silva? Hip Hop e Ballet?
Olha o que deu:
Clique no link para ver...http://www.youtube.com/watch?v=RM2Aio9mvNE

Convivência de início de curso do Caminho Neocatecumenal

http://www.flickr.com/photos/fabiomelofotografia/4404120694/


O melhor da caminhada está, certamente, no percurso. Guimarães Rosa já tinha ensinado isso, que de resto já o sabiam Salomão e meu tio Geraldo. Não faço parte de nenhuma comunidade do Caminho Neocatecumenal (você já deve ter ouvido falar dessa opção dentro da Igreja Católica Apostólica e Romana...). Comunidade é coisa que parece fora de moda nos tempos em que a palavra nos remete às redes socias da WEB ou ao eufemismo recorrente usado para o verbete FAVELA. Mas estou aqui, em Ribeirão Preto entre quatrocentas pessoas que fizeram essa opção e estão doando parte de seu tempo (tempo ainda é dinheiro?) para ouvir, ler e aprender as lições que se desdrobram de dentro da palavra, entendida nesse contexto como A palavra (de Deus). Estou aqui pelo Estevão que é filho do meu irmão, nossa afinidade é genuína e de resto muitas palavras nos cercam. Assim, enquanto ele aprende a desenhar letra A vou ouvindo a Susi tocar esse piano louvand…

uma odisseia: 1999-2008

Mil noventos e noventa e nove, todos esperavam o fim! Apocalípticos e integrados se dividiam naquela visão de mundo que destrói. Aquela que confere certeza e confirma a finitude da criação. Estamos vivos e o mundo... O fim se revelou um novo começo, gira mundo, gira pião... Fica a saudade daqueles que partiram e dos que estão distantes, mas fica e isso eu conto. É uma história escrita em tonalidades fortes e harmoniosas, de riso e muitas perdas, descobertas, parcerias, cumplicidades, esperança,  frescor de uma folha nova e alguma brisa. Em julho de 1999 fizemos essa viagem até a Serra da Canastra, na bagagem levei a câmera filmadora, filmei em VHS e agora te envio em DVD. Pra mim, Zé, é como se fosse um retorno à Ítaca, você Ulisses ou eu. As veredas da Canastra o labiríntico Egeu...Franca, Piunhí, Pimenta, Vila Costina, São Roque, Vargem Bonita, Barreiro, Peixoto. Apresentei a você não só os lugares onde foram plantadas minhas raízes mas, e também, personagens que povoam minhas lemb…

Latitude zero

O bicho da seda tece seu fio preparando morte e ressureição

sou agora palavras brandas
nenhum levante, nenhum brado, nenhuma lâmina
sou tuba entre violinos
um u abafado.

A espera é agora ruína e sombra
O sol que aquece meu rosto é gesto divino
que rabisca a única rima que resta na última pauta
sou rascunho animado de desenho antigo

O casulo pronto é abrigo .
agora palavras prata,
palavras uva
vidraça e chuva

Agora o poema está pronto.



Ps.:
Bicho-da-seda é a larva de uma espécie de mariposa (Bombyx mori) usada na produção de fios de seda. Este insecto é nativo do Norte da China mas encontra-se actualmente distribuído por todo o mundo em quintas de produção de seda, denominada sericicultura.
O bicho-da-seda alimenta-se de folhas, preferencialmente de Amoreira ou ração, ao longo de toda a sua fase de vida larvar. Ao fim de um período de pouco mais de um mês, a lagarta torna-se amarelada e começa a segregar um casulo onde se dará a metamorfose para o estado adulto (imago). É esse casulo que serve de fo…

Luís Cruz de Oliveira

Eu pedi a uma amiga comum, a Édna, que apresentasse o texto Algema ao escritor. Ele retornou escrevendo uma avaliação que agora reproduzo.


Impressões de leitura

É um embrião de romance

Vantagens
1) imaginação fértil
2) conhecimento teórico bom
3) conceitos e análises rasoavelmente sólidos
4) a disposição das idéias é boa

Desvantagens
1) É muito prolixo
2) O tempo todo o leito fica diante de possibilidades

É um ensaio, é uma crônica, é um conto, é o começo de um romance?

ALGEMA

“Ela escolheu a melhor parte e ninguém vai tirar dela.” Evangelho segundo Lucas 10: 38-42

O canavial estende-se sobre o vermelho da terra, visto do alto, como só podem aves e aviadores, parecerá um tapete fabricado por mãos hábeis e agulhas finas, esqueçamos as enxadas, o duro do chão, a terra roxa, o sol que envelhece a pele, tudo é trabalho para mãos experientes, as linhas verdes serão fios de algodão doce que ondulam para cá, para o outro lado, se faz vento na terra como aqui, no céu. Do ponto de vista das aves, que guardam algum parentesco com os dinossauros, a falta de mais colorido sinaliza, também para elas, a extinção e perguntam usando de linguagem refinada que só uma não-literatura poderia traduzir, Onde estão os Jacarandás, os Ipês, os Cedros, as Jangadeiras, as Aroeiras, sim, são perguntas esse alarido que cobre a beleza monocromática, supostamente natural. A eira, também branca, sinaliza para a história um passado sem memória, sem função, quase, além desta de ser mencionada…

O sibipiruna velho

Essa é uma história de amor, triste. Que é contada com algum ritmo. Veio morar na minha calçada uma sibipiruna ainda menina e já de copa larga, longos galhos alegres e tingidos daquele verde que só me lembro de vestir igual  quando também galhos menino eu tinha.
Linda, e foi amor à primavera.
Quando moça não florira e, adolescente paixão, eu chovia flores amarelas pensando no que por ela faria o jasmineiro em sentinela plantado vermelho no outro lado desse mesmo quarteirão.
Sua copa, então por mim revestida, dava-lhe ar cosmopolita, de quem já se habituara a ser, e ser admirada e requerida. Sim, requerida porque era diário ouvir muita proza regada à sombra nossa de cada dia unidas na calçada daquelas tardes quentes estendidas.
Foram uma, duas, três primaveras sem que dela o amarelo exuberante quebrasse a monocromia dos verdes tons dos anos inteiros.
Enfim, e nem por isso mais bela, floresceu. E foram outras uma, duas, três primaveras de copas quase já entrelaçadas. Como crescera!
Divertíamo…

ele conto, eu conta: só perdemos o que não temos

Só perdemos o que não temos




Na última semana, terminei de ler um livro que um amigo muito querido me presenteou. Falava de auto-descoberta, auto-conhecimento – tratava de temas complexos sobre o expandir da consciência, ampliar o olhar sobre si mesmo – tudo banhado de espiritualidade e conceitos da psicologia. Enfim, dentre os inúmeros temas que pude revisitar ao ler esse livro, um em especial me chamou a atenção: a morte. Nesse capítulo o autor deixava claro um ponto que quero compartilhar com você: a questão da perda.
É verdade que toda perda é um processo dolorido, sofrido. Um processo que nos faz pensar e repensar, refletir sobre nossas vidas, nosso tempo, a forma como aproveitamos ou não esse milagre que é viver e se relacionar, estabelecer relações. Tudo isso faz sentido se ampliarmos o conceito da morte e compreendermos que morremos todos os dias e, renascemos todo amanhecer. A morte nada mais é que o fim de um ciclo e início de outro.
Desapego
E, se morremos, ou melhor, perdemos a…

Mersearia (com s de serpente, de eternidade)

O copo está vazio sobre a mesa, Ana deve morrer. A urgência de apresentar o clímax desse breve relato sobre suicídio não poderia ser menos imperiosa já que o efeito esperado da droga ingerida é de vinte minutos. Se havemos de colher aquilo que plantamos então Ana terá um fim silencioso, passara despercebida por quem estava ocupado nos bares e nos labores, não semeou nem colheu, arrasta-se inútil e escreve, Meu corpo ao menos servirá a vermes... Ana vai morrer como também morrerão as prostitutas e os bispos de todas as igrejas, universais por moda e ocasião, para ficarmos em dois exemplos extremos do que se considera, no vulgar das consciências, o santo e o profano, que entre uma coisa e outra nos encontramos. Mas o que deve nos incomodar é o fato de Ana ter escolhido o momento e o modo como chegará ao fim da sua história, às seis horas de uma manhã cuja rotina tende a ser a mesma de tantas outras. Ontem, à tarde, saiu para a farmácia enfrentando as dificuldades de locomoção que lhe sã…

VERÃO - AMOR NU

a primavera insistia
morava sonho bom
eu esperava vestido
dia após dia
cerzia clichês
diverso e breve
feliz nos azuis
o eterno amor

mas chega o verão
na pele do lobo
o lobo do homem
e despe pudores
revela estrias
feridas novas
de quedas antigas

a inocência violada
é uma lágrima tinta

o tempo ecoa sarcasmo
a ninguém pertence culpa
é do verão a natureza despir
a alma mais de uma vez tida

prossegue ao destino a ironia
e perambula maltrapilho
o amor revestido de ais
de palavras novas
velhas e malditas
só ao espelho confessa
sem poder revestir-se
da pele do cordeiro despido
é novilho no abate
é pio metrificado
rascunho

no oco frio do inverno
assenta no poema um til
ao lembrar da sina
de coser remendo novo
em trapo de velho tecido

Antônio B.