Pular para o conteúdo principal

Postagens

O DESCOBRIMENTO DO BRASIL NOTICIADO NA TELEVISÃO

Nessa manhã, 22 de abril, uma carta de Pero Vaz de Caminha foi publicada nas redes sociais e causou furor entre os liberais. Na missiva, um relato de viagem apaixonado, o narrador português afirmou categoricamente o 'achamento' desta nossa terra num disparate nunca antes mencionado na literatura. Imediatamente as bolsas de valores do mundo todo vibraram com a possibilidade do enriquecimento rápido a despeito das comunidades que estiveram presentes ao ato de desapropriação. Em tempo, Caminha escreveu, como se tomasse posse da terra já habitada que, "ao monte alto o capitão pôs nome "Monte Pascoal" e à terra "Terra da Vera Cruz.". Ao meio dia houve uma manifestação na frente do parlamento inglês. Segundo consta, os francese também não se dispõem a respeitar o 'Tratado de Tordesilhas' assinado agora há pouco entre portugueses e espanhóis segundo o qual a terra seria única e exclusivamente dividida entre os ibéricos restando aos franco-saxões o ma…
Postagens recentes

NA JORNADA EM QUE SE CAMINHA SOZINHO

NA JORNADA QUE SE CAMINHA SOZINHO ***************************************************
O caminho curto para ser feliz eu sei de cor, mas hoje não me interessa nenhum atalho. Para chegar rápido, não existe combustível que basta. Vou mesmo devagar, de cara limpa, sem euforia. Felicidade agora é estado de espírito, só por hoje uma história que se conta. Nas minhas veias o caminho longo é perseverança.
Contudo, na jornada em que se caminha sozinho não sigo desacompanhado se tenho por companhia os mais fracos, os impotentes, os escravizados já libertos. Pode soar estranho o modo como organizo o que penso, sei que pode parecer estranho estar feliz com tão pouco. O fundamental na vida é sombra d’água e a alegria de encontrar outro peregrino.
Já disseram não ser possível entender muita coisa. Também disseram “não tem nada no fim do poço”, mas não é o que vi quando não havia mais luz. No fundo, bem no fundo da desesperança, existe água limpa. Quem chega lá não volta pelo mesmo caminho, segue em fre…

O MÍNIMO QUE SOU

Estender sobre a vastidão de todas as coisas interligadas o aspecto mais íntimo da minha própria solidão talvez seja, ao depor o mínimo que sou numa gota de paz, esperar que nada de extraordinário aconteça. * * Baltazar Gonçalves

R*E*S*S*E*N*T*I*M*E*N*T*O*R*A*I*V*A*M*E*D*O

para os filhos dos nossos filhos, para os pais dos nossos pais, para quem sabe, para que esqueceu ao ventre ninguém retorna
para quem virá, para quem veio, para quem seguiu, para quem ficou, para quem chegará perto mais aperto
para quem acena, para quem encena, para quem abraça, para quem descansa, para quem engole o choro, para quem seca uma lágrima longe, longe daqui
vai em frente, arruma o prumo encara essa obsessão não lamente o tempo perdido

À SOMBRA DO GUAPURUVU (conto erótico)

O que se conta aqui é sussurro de alcova, ninguém escreve e todos leem. O desencanto silenciou os mais corajosos. O verdadeiro amor não existe, dizem. A pureza fenece debaixo de pesados escombros, afirmam os poetas. Amar é fazer escolha, deixar morrer fios de história.
A cidade dorme quando Carmem atravessa para o outro lado do parque. Decidida, vai sem pressa. As lâmpadas elétricas do passeio público, desligadas em sequência programada, parecem girassóis murchando em agonia. O sol ilumina o horizonte de modo a declarar eterno o retorno dos dias vazios. Carmem dará, hoje, fim às expectativas de Zaad. Serena, tem no olhar distante a certeza da escolha amadurecida. Ele nunca deixará de ser o homem da sua vida, mas tudo mudou. No bilhete que recebera estava escrito: “Te quero mais, dá-me só uma chance. Ao amanhecer, encontre-me no parque. À sombra do Guapuruvu, depois da ponte, na clareira ao lado da gruta”. Ensimesmada, Carmem pensa que não deveria ter permitido aquilo. Os eventos da noi…

REVOLUÇÃO

REVOLUÇÃO
****************
O país demolido florescerá, é a Revolução em marcha. Eu projeto o real à lápis, a partir dos destroços. Dou meu braço por um clichê porque quase tudo está perdido. Engendro sentidos no campo de visão para perceber mais uma vez a força do homem coletivo. Estou determinado, vou aderir ao Movimento. Na minha frente está a Praça dos Poderes, me esquivo da presença encarnada e aflita dos que gemem de medo atrás de mim. Saio para a rua e vejo barreiras erguidas, e outro muro e outro muro e outro muro. A utopia é essa grande distopia, é a máscara grudada na cara desfigurada da multidão. Eu me entrelaço, cantamos antigo refrão. Minha sombra é a sombra de homens e mulheres e crianças e velhos que levam uma rosa numa das mãos e na outra, segura firme, a mão de quem vai ao lado. Somos operários cansados de levar material de construção de um lado para outro dentro de nossas cabeças. Cada um que vai à marcha tem nos olhos a reconstrução do país. Mão à obra. Num segundo le…

ENTRE O FEIJÃO E O SONHO

De qualquer ponto que eu inicie um relato da minha história com a palavra escrita, esbarrarei no feijão e no sonho. Foi só na terceira série aos nove anos que fui apresentado ao autor Orígenes Lessa. Quando a professora Vanda fez um resumo oral nos contando do que se tratava a obra, eu nunca mais fui o mesmo. Percebi que meu passado estava ali, logo no título, e também meu futuro. Até então, para narrar em retrospectiva, eu estava encantado com as ciências e fazia experimentos em casa misturando água e óleo, areia e pedra, folhas de todas as cores no álcool para ver a tintura na mistura. E colecionava tipos de rochas porque tinha me apaixonado pela Geologia. Com O FEIJÃO E O SONHO, vi descortinado o universo de uma nova ciência: a Literatura. Preciso ser honesto, eu não li o livro de Orígenes Lessa e pretendo nunca ler. O feijão é o sonho será sempre uma obra que conservará o mistério que vou lhes contar. Eu sentia que não podia me encontrar numa história contada por uma pessoa que eu …